Para o brasileiro com dupla cidadania, o passaporte europeu pode dispensar o visto americano. O que libera a viagem, porém, não é o passaporte ser europeu: é o país dele estar no Visa Waiver Program (VWP), o programa de isenção de visto dos EUA, e o viajante não ter nenhum impedimento.

Este guia mostra quais países europeus estão no programa e quais ficam de fora, o que é preciso para viajar com o ESTA, quem precisa de visto mesmo com passaporte europeu, o que muda para quem já teve o visto negado e qual passaporte usar em cada etapa. As regras foram conferidas nas páginas oficiais do governo americano e da Polícia Federal em 3 de novembro de 2026.

Quais países europeus estão no Visa Waiver Program

O Visa Waiver Program tem 42 países, segundo a lista oficial do DHS, o Departamento de Segurança Interna dos EUA, atualizada em 28 de outubro de 2026. Desses, 32 ficam na Europa:

SituaçãoPaíses europeus
✅ No programa: vão aos EUA com o ESTAAlemanha, Andorra, Áustria, Bélgica, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Irlanda, Islândia, Itália, Letônia, Liechtenstein, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Mônaco, Noruega, Países Baixos, Polônia, Portugal, Reino Unido, República Tcheca, San Marino, Suécia e Suíça
❌ Fora do programa: precisam de vistoBulgária, Chipre e Romênia, que são da União Europeia, e os países europeus que não aparecem na lista, como Albânia, Sérvia e Ucrânia

Na União Europeia, que tem 27 países, 24 estão no programa. A Romênia chegou a ser designada em 9 de janeiro de 2025, mas o DHS informa que a designação foi revogada em 2 de maio de 2025, antes de começar a valer.

Os europeus que entraram por último foram a Polônia, com viagens pelo programa desde 11 de novembro de 2019, e a Croácia, desde 1º de dezembro de 2021. Os outros 10 países do programa ficam fora da Europa: Austrália, Brunei, Catar, Chile, Coreia do Sul, Israel, Japão, Nova Zelândia, Singapura e Taiwan.

Por isso, quem tem passaporte italiano, português ou espanhol não precisa de visto americano para turismo ou negócios de até 90 dias, desde que tenha o ESTA aprovado e nenhum impedimento. Três detalhes fazem diferença:

  • O que conta é a cidadania. O programa vale para cidadãos e nacionais dos países da lista, e não importa onde você nasceu ou mora.
  • Cidadania reconhecida não basta sem o passaporte. O ESTA é pedido com o passaporte eletrônico do país do programa: enquanto ele não sai, quem só tem o passaporte brasileiro precisa do visto.
  • Reino Unido: o programa vale só para cidadãos britânicos com direito irrestrito de residência permanente no Reino Unido, segundo o DHS.

O que é preciso para viajar aos EUA com o ESTA

O ESTA não é um visto: é a autorização eletrônica que o CBP, a agência de fronteiras dos EUA, exige de quem viaja pelo Visa Waiver Program. Para usá-lo, o viajante precisa cumprir todos estes pontos:

  1. Passaporte eletrônico do país do programa. Desde 1º de abril de 2016, só o passaporte com chip vale no programa, e o ESTA fica ligado ao passaporte usado no pedido. Passaporte novo exige ESTA novo e nova taxa, e o mesmo vale quando mudam o nome, a cidadania ou alguma resposta de sim ou não do formulário.
  2. ESTA aprovado antes do embarque. A taxa é de US$ 40,62 desde 16 de outubro de 2026 e, se o pedido for negado, a cobrança é de US$ 10,62. Na experiência da Viaggi Vistos, a aprovação sai de minutos até 72 horas, e o CBP recomenda pedir assim que a viagem começar a ser planejada.
  3. Viagem de turismo ou negócios de até 90 dias. Pelo programa, não dá para prorrogar a estadia nem trocar de status dentro dos EUA. Morar, trabalhar e estudar com crédito acadêmico não são permitidos, e a conexão nos EUA com passaporte europeu também exige ESTA ou visto.
  4. Passagem de saída dos EUA e companhia do programa. O CBP pede chegada por companhia aérea ou marítima signatária do acordo do programa e passagem que leve o viajante para fora dos EUA, numa viagem que não termine no Canadá, no México ou em ilhas próximas, como as do Caribe, salvo para quem mora no país de destino. Em avião particular, o ESTA só serve se o operador da aeronave também for signatário; se não for, é preciso visto.
  5. Passaporte válido durante toda a estadia. A regra geral dos EUA pede passaporte válido por 6 meses além da estadia, mas todos os países europeus do programa estão na lista de isentos, o chamado Six Month Club, segundo o boletim do CBP às companhias aéreas de 18 de dezembro de 2025: para eles, basta o passaporte valer durante toda a estadia. O ESTA vale, em regra, por 2 anos ou até o passaporte vencer, o que vier primeiro.
  6. Um ESTA para cada viajante. Crianças e bebês também precisam do próprio ESTA, e um parente ou uma agência pode fazer o pedido por eles, segundo o CBP.

O ESTA aprovado não garante a entrada: na chegada, quem decide a admissão é o oficial do CBP. Os canais oficiais para o pedido são o site esta.cbp.dhs.gov e o aplicativo ESTA Mobile, e a divisão da taxa está no guia quanto custa o ESTA e quem pode usar.

Declaração do CDC no embarque

Nos voos para os EUA com partida a partir de 4 de novembro de 2026, às 01h59 de Brasília, todo passageiro, inclusive quem viaja com ESTA, também precisa prestar antes do embarque a declaração do CDC para viajar aos EUA. Ela não substitui o passaporte nem o ESTA. A ordem do CDC prevê essa exigência até 18 de dezembro de 2026, salvo mudança.

Quem tem passaporte europeu e mesmo assim precisa de visto

O passaporte do programa não basta em alguns casos. Pela lei americana de 2015 que reformou o programa, e desde que Cuba foi designada Estado patrocinador do terrorismo, em 12 de janeiro de 2021, precisa tirar o visto quem:

  • esteve em Cuba a partir de 12 de janeiro de 2021;
  • esteve na Coreia do Norte, no Irã, no Iraque, na Líbia, na Somália, no Sudão, na Síria ou no Iêmen a partir de 1º de março de 2011;
  • tem também a nacionalidade de Cuba, da Coreia do Norte, do Irã, do Iraque, do Sudão ou da Síria.

A viagem conta com qualquer passaporte, inclusive o brasileiro, porque a regra fala em ter estado no país. Há exceções limitadas para quem esteve nesses países a serviço das forças armadas de um país do programa ou em serviço oficial como funcionário de tempo integral do governo de um desses países, mas, segundo o CBP, elas não valem para a dupla nacionalidade.

Se o CBP descobrir a passagem por Cuba ou a nacionalidade cubana depois de aprovar o ESTA, a autorização é revogada. No formulário, a pergunta 9 junta Cuba aos outros oito países, com a data de 1º de março de 2011: responda com a verdade, do jeito que a pergunta aparece. A nacionalidade brasileira não está entre as que impedem o ESTA.

Também precisa de visto quem:

  • vai ficar mais de 90 dias, mesmo com passaporte de país do programa;
  • teve o ESTA negado, porque o CBP manda pedir o visto de não imigrante na embaixada ou no consulado;
  • só tem passaporte de país europeu fora da lista, como Bulgária, Chipre e Romênia.

O formulário do ESTA também pergunta se você já foi preso ou condenado por crime que causou dano grave a bens, a outra pessoa ou a uma autoridade do governo, se procura emprego nos EUA ou já trabalhou lá sem autorização, se já teve a entrada recusada ao chegar aos EUA e se já ficou no país além do prazo autorizado (perguntas 2, 6, 7 e 8). As perguntas valem para a pessoa, e não para o passaporte: contam também os fatos de quando você só tinha o passaporte brasileiro. Responda com a verdade, porque um "sim" pode levar à recusa do ESTA.

Para turismo e negócios, o caminho do brasileiro nesses casos é o visto B1/B2, pedido no consulado, com a taxa do visto americano (MRV) de US$ 185 por pessoa. Trabalho e estudo com crédito acadêmico não cabem no ESTA nem no B1/B2 e exigem outro tipo de visto.

Já teve visto negado: o que declarar no pedido do ESTA

Dá para pedir o ESTA, mas a negativa precisa ser declarada. A pergunta 7 do formulário do ESTA quer saber se você já teve um visto americano negado com o passaporte atual ou com um anterior, e isso inclui a recusa no passaporte brasileiro.

O Departamento de Estado avisa que uma negativa recente, por qualquer motivo, pode levar à recusa do ESTA, a uma checagem extra na chegada ou à recusa de entrada nos EUA. Na experiência da Viaggi Vistos, quanto mais tempo passou desde a negativa, maiores as chances de o ESTA ser aprovado.

Trocar de passaporte não apaga o histórico: a negativa de visto americano fica registrada para sempre e visível para todos os consulados americanos do mundo, como explica o guia visto americano negado fica registrado. Responder "não" tendo uma negativa é declaração falsa, e declaração falsa para obter visto ou entrada nos EUA pode tornar a pessoa inadmissível de forma permanente, pela seção 212(a)(6)(C)(i) da lei de imigração americana.

Se o ESTA for negado, a cobrança é de US$ 10,62 e o caminho passa a ser o visto B1/B2. Segundo o CBP, a embaixada e os consulados não informam o motivo da recusa do ESTA nem resolvem o que a causou. As chances e os cuidados desse caso estão no guia visto americano negado: posso tentar o ESTA?.

Dupla cidadania: qual passaporte usar em cada etapa

Quem é brasileiro e europeu lida com duas autoridades: o CBP, na ida e na volta dos EUA, e a Polícia Federal, na saída e na entrada do Brasil. O que cada etapa pede:

No pedido do ESTA

  • Declare a cidadania brasileira. O formulário pergunta se você é hoje cidadão ou nacional de outro país.
  • Informe o passaporte brasileiro mais recente, mesmo vencido. É a orientação do FAQ oficial do ESTA. Quem não tem passaporte brasileiro escolhe o Brasil na lista e deixa o número do passaporte em branco.
  • Com duas cidadanias do programa, escolha uma. Para quem é, por exemplo, italiano e português, o CBP recomenda escolher um dos dois passaportes e usar sempre o mesmo, porque duas autorizações para a mesma pessoa só atrasam a viagem.

Na ida e na volta dos EUA

Embarque e entre nos EUA com o passaporte europeu ligado ao ESTA: o FAQ oficial do ESTA orienta usá-lo no embarque, no país de partida, e na chegada aos EUA. Na volta, saia dos EUA com esse mesmo passaporte.

O motivo está no registro de saída. O FAQ oficial do I-94 lista a saída com o passaporte de outra cidadania entre as causas mais comuns de saída não registrada, como mostra a pegadinha do I-94 de quem tem dois passaportes.

Na saída e na volta ao Brasil

Pela Polícia Federal, o brasileiro com dupla nacionalidade pode usar o passaporte da outra nacionalidade tanto para sair quanto para voltar ao Brasil, desde que ele esteja válido na saída e que o viajante apresente também o RG, a cédula de identidade emitida por Secretaria de Segurança Pública. CNH, carteira da OAB ou do CRM e certidões não servem: sem o RG, o registro é feito como de estrangeiro, e passam a valer, em regra, os prazos e as multas da Lei de Migração.

Também dá para passar pela Polícia Federal com o passaporte brasileiro, como qualquer brasileiro. A orientação da Viaggi Vistos é levar os dois passaportes e deixar à mão o europeu, que é o que a companhia aérea e a imigração americana vão conferir.

O menor de 18 anos que viaja sem um dos pais precisa de autorização de viagem, mesmo usando o passaporte europeu, segundo a Polícia Federal. Os detalhes, inclusive o que acontece com quem é registrado como estrangeiro, estão no guia qual passaporte usar para sair e entrar no Brasil.

Quem já tem visto americano válido

Quem tem visto americano válido no passaporte brasileiro não precisa pedir o ESTA: o CBP diz que quem tem visto válido pode viajar com ele, para a finalidade para a qual foi emitido. Nesse caso, faça a viagem inteira com o passaporte brasileiro, na ida e na volta, pela mesma lógica do I-94.

Como a Viaggi Vistos pode ajudar

A Viaggi Vistos faz o pedido do ESTA para quem tem passaporte de país do programa. Antes de enviar, conferimos a cidadania, o passaporte e o histórico consular; depois, preenchemos e revisamos o formulário e acompanhamos até o resultado.

Na Viaggi, em geral, o pedido é feito pelo site oficial, com o upload da foto do passaporte e da selfie do solicitante. O prazo de trabalho é de até 48 horas depois que recebemos os formulários preenchidos, e a decisão é sempre do CBP. Conheça o serviço de ESTA da Viaggi Vistos.

Se o seu caminho for o visto, a Viaggi assessora o pedido do B1/B2 do começo ao fim, e as dúvidas mais comuns estão no FAQ completo do visto de turismo B1/B2. Nenhuma assessoria pode garantir a aprovação do seu visto americano. O que uma assessoria experiente e confiável pode fazer é aumentar suas chances de aprovação, evitando erros no preenchimento do DS-160 e preparando você para se sair bem na entrevista consular.

Fontes

Todas lidas em 3 de novembro de 2026.

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Passaportes da Itália e de Portugal sobre a bandeira dos Estados Unidos, com o convite para solicitar o ESTA com a Viaggi Vistos

Perguntas frequentes

Quem tem passaporte italiano ou português precisa de visto americano?

Não, se não houver impedimento. Itália e Portugal estão no Visa Waiver Program, e o passaporte eletrônico válido desses países permite ir aos EUA a turismo ou negócios por até 90 dias com o ESTA, de US$ 40,62, sem visto. O brasileiro que também é italiano ou português pede o ESTA com o passaporte europeu e declara a cidadania brasileira no formulário.

Quais países europeus não estão no Visa Waiver Program?

Na União Europeia, Bulgária, Chipre e Romênia, segundo a lista oficial do DHS atualizada em 28 de outubro de 2026. A Romênia chegou a ser designada em 9 de janeiro de 2025, mas a designação foi revogada em 2 de maio de 2025, antes de valer. Também ficam de fora os países europeus que não estão na lista, como Albânia, Sérvia e Ucrânia, e quem só tem passaporte desses países precisa de visto para ir aos EUA.

Tenho visto americano válido no passaporte brasileiro. Preciso do ESTA?

Não. O CBP, a agência de fronteiras dos EUA, informa que quem tem visto válido pode viajar com ele, para a finalidade para a qual foi emitido, sem pedir o ESTA. Nesse caso, use o passaporte brasileiro na ida e na volta: sair dos EUA com o passaporte de outra cidadania está entre as causas mais comuns de saída não registrada no I-94.

Com qual passaporte embarco para os EUA se tenho dupla cidadania?

Quem vai com o ESTA embarca com o passaporte europeu usado no pedido: o FAQ oficial do ESTA orienta usá-lo no embarque e na chegada aos EUA, e o recomendado é sair dos EUA com esse mesmo passaporte, para a saída ficar registrada no I-94. Na saída e na volta ao Brasil, a Polícia Federal aceita qualquer um dos dois; com o europeu, válido na saída, apresente também o RG emitido por Secretaria de Segurança Pública, porque, sem ele, o registro é feito como de estrangeiro.

Quem tem passaporte europeu e já foi a Cuba pode usar o ESTA?

Não, se esteve em Cuba a partir de 12 de janeiro de 2021, com qualquer passaporte, inclusive o brasileiro: nesse caso, é preciso tirar o visto americano, salvo exceções limitadas para quem esteve lá a serviço das forças armadas de um país do programa ou em serviço oficial como funcionário de tempo integral do governo de um desses países. Quem tem também a nacionalidade cubana não pode usar o ESTA, e, se o CBP descobrir a viagem ou a nacionalidade depois da aprovação, o ESTA é revogado.

Criança com passaporte europeu precisa de ESTA próprio?

Sim. O CBP exige um ESTA para cada viajante, inclusive crianças e bebês, de qualquer idade, e um parente ou uma agência pode fazer o pedido por eles. Para sair do Brasil sem um dos pais, o menor de 18 anos precisa de autorização de viagem mesmo usando o passaporte europeu, segundo a Polícia Federal.