Não, se a sua viagem for de turismo. O brasileiro entra na Argentina só com a carteira de identidade física, sem passaporte e sem visto, por força do acordo de documentos de viagem do Mercosul. O detalhe que derruba gente no balcão é outro: esse documento precisa cumprir condições que quase ninguém conhece, e existe uma situação em que o passaporte volta a ser obrigatório mesmo numa viagem de turismo.
Neste guia:
- O que você precisa para entrar
- As quatro condições do RG
- Quando vale ter passaporte assim mesmo
- Quanto tempo dá para ficar
- Menor de idade
- Avião, carro ou ônibus
- A pegadinha da conexão
O que o brasileiro precisa para entrar na Argentina
Duas coisas, e só duas: um documento de viagem aceito e nenhum visto.
A Direção Nacional de Migrações da Argentina lista, para o turista, passaporte vigente, cédula de identidade vigente ou documento de viagem hábil. E o Brasil está entre os países cuja cédula de identidade é aceita, junto com Bolívia, Uruguai, Paraguai, Chile, Peru, Venezuela, Equador e Colômbia.
| Documento | Entra na Argentina? | O que reprova |
|---|---|---|
| Carteira de identidade física (RG ou CIN) | Sim, só a turismo | Documento danificado, foto que já não identifica você, emissão antiga que a companhia aérea pode recusar |
| Passaporte brasileiro válido | Sim, qualquer finalidade | Estar vencido |
| Identidade digital no celular | Não | O consulado é explícito: física, não digital |
| CNH, OAB, CRM, certidão | Não | A PF diz que não servem, seja qual for o motivo |
Se nenhum dos dois documentos está em dia na sua casa, comece por aqui: o guia de como tirar o passaporte brasileiro mostra o processo do formulário à retirada, e a lista de documentos exigidos pela Polícia Federal evita a ida perdida ao balcão.
Quem prefere não encarar a burocracia sozinho tem atalho: a assessoria de passaporte brasileiro da Viaggi custa R$ 100 por solicitante e cobre o preenchimento do formulário, a emissão da GRU, o agendamento e a conferência dos documentos antes do atendimento. A taxa de R$ 257,25 continua sendo paga por você, direto à Polícia Federal, porque ela é do governo e não da Viaggi.
As quatro condições para o RG valer na fronteira
A dispensa do passaporte não é automática. A carteira de identidade precisa cumprir, ao mesmo tempo:
- Ter uma data de emissão que não levante dúvida. Aqui mora a confusão mais repetida sobre o assunto, e vale explicar direito. A Polícia Federal trata o tema em duas páginas: uma delas enuncia a cédula emitida há menos de 10 anos como condição da dispensa, e a outra, atualizada em 29 de janeiro de 2024, explica que a identidade não tem prazo de validade por lei e que os 10 anos são o ponto a partir do qual companhias aéreas, bancos e cartórios podem recusar o documento, por medida de segurança contra fraudes. Para quem viaja, o efeito é o mesmo: se a companhia aérea não aceitar, a viagem termina no check-in. Trate os 10 anos como limite prático e, havendo dúvida quanto à data de emissão, à conservação ou à foto, consulte a companhia aérea com antecedência, que é exatamente o que a própria PF recomenda.
- Ter uma foto que ainda identifique plenamente você. É a mesma frase da PF, e é subjetiva: quem decide é o agente na fronteira.
- Estar em boas condições de conservação. Documento rasgado, plastificado torto, riscado ou desbotado pode ser recusado.
- Ser física. O consulado brasileiro é literal ao dizer que o documento válido é a carteira de identidade física, não digital.
Existe ainda uma quinta condição, que não é do documento e sim da viagem: a dispensa só vale para turismo. A Polícia Federal registra que viagem a trabalho, a estudo, para residência, por saúde ou por qualquer outro motivo que não seja turismo exige passaporte.
⚠️ Não confunda com a validade do RG dentro do Brasil. O modelo antigo de carteira de identidade continua válido no país até 2032, por conta do Decreto 10.977/2022, e nenhum dos dois números é "prazo legal de validade" do documento para viajar. Um RG emitido em 2010 segue servindo no dia a dia dentro do país e, ainda assim, é justamente o tipo de documento que pode ser recusado no balcão de embarque para a Argentina.
E a CIN, a nova Carteira de Identidade Nacional? Serve. O Governo Digital informa que ela pode ser utilizada no exterior nos países com os quais o Brasil tem acordo de viagem, citando expressamente o bloco do Mercosul, e que não substitui o passaporte nos demais países. Do lado argentino, a lista de documentos brasileiros aceitos inclui a "cédula de identidade expedida por cada unidade da federação com validade nacional", que é exatamente o que a CIN é. Continue levando a via física.
Quando ainda assim vale a pena ter passaporte
Vamos ser honestos: se a sua viagem é só Argentina, a turismo, e o seu RG está em dia, você não precisa gastar nada com passaporte. Ponto.
Ainda assim, muita gente tira, e por motivos razoáveis:
- Ele serve para todo lugar. O RG resolve oito vizinhos da lista do acordo; o passaporte resolve o mundo, e para qualquer finalidade.
- Ele não puxa a discussão da data de emissão. O passaporte comum vale conforme o prazo impresso nele, sem a régua extra que companhias aéreas aplicam à identidade antiga. Os detalhes estão no guia de prazo e validade do passaporte.
- Ele elimina a discussão na fronteira. Foto antiga e conservação são avaliação humana. Com passaporte, não há o que avaliar.
- Ele é obrigatório se houver conexão fora do acordo, e esse é o erro caro que explicamos no fim deste guia.
Se você decidiu tirar, saiba que a emissão é sempre ato da Polícia Federal: não existe caminho que dispense o atendimento presencial nem a taxa oficial. O que dá para fazer é chegar ao balcão com tudo certo e sem retrabalho. Antes de começar, vale saber quanto o processo custa de ponta a ponta, e o detalhamento de quanto custa tirar passaporte mostra onde cada real entra.
Quanto tempo dá para ficar na Argentina
Até três meses, prorrogáveis por outro período similar. Na definição da própria Migrações argentina, turista é "o estrangeiro que entra no país com propósito de descanso ou lazer".
A prorrogação é pedida na Direção Nacional de Migrações, em Buenos Aires, ou nas delegações e escritórios migratórios espalhados pelo país. Na chegada, o agente pode perguntar o destino e quantos dias você pretende ficar: responder com clareza acelera a passagem.
Menor de idade viajando para a Argentina
Aqui moram dois processos diferentes, e confundir os dois é o que barra família no aeroporto.
1. Sair do Brasil. É regra brasileira, fiscalizada pela Polícia Federal no embarque. O menor de 18 anos que viaja sozinho, com apenas um dos pais ou com um terceiro precisa de autorização. As três formas de fazer (cartório, AEV eletrônica e autorização gravada no passaporte) e a validade de cada uma estão no guia de autorização de viagem para menor.
2. Entrar na Argentina. É regra argentina. A Direção Nacional de Migrações publica que precisam de autorização para ingressar no país os menores que ainda não completaram 13 anos, qualquer que seja a nacionalidade e a categoria de ingresso, quando não viajam acompanhados nem são aguardados por quem exerce a responsabilidade parental ou por terceiro autorizado. A documentação é apresentada em original ou cópia autenticada, presencialmente, no posto de controle migratório.
Três cuidados práticos:
- O documento de viagem da criança segue a mesma regra do adulto: carteira de identidade física ou passaporte, em nome dela. Se ela ainda não tem, veja o guia de passaporte para menor de idade.
- Leve a comprovação de filiação (certidão de nascimento), porque o sobrenome igual não prova parentesco.
- Documento emitido no exterior pode exigir legalização consular ou apostila e tradução por tradutor público. Se o seu caso tiver qualquer elemento fora do padrão, confirme no consulado argentino antes de comprar a passagem.
De avião, de carro ou de ônibus: muda alguma coisa
No documento pessoal, não muda nada. RG físico em dia ou passaporte, nos três casos.
O que muda é o resto. Quem vai de carro precisa levar, segundo o Consulado do Brasil em Paso de los Libres: CNH física vigente, CRV ou CRLV impresso, seguro Carta Verde impresso, dois triângulos de sinalização e um extintor de incêndio com carga vigente, localizado debaixo do banco do passageiro. Se o condutor não for o proprietário do veículo, a exigência é mais dura do que muita gente imagina: autorização feita em cartório e apostilada, não basta firma reconhecida. Veículo com elementos que sobressaem da estrutura, como engates frontais ou traseiros, não pode circular.
Em fronteira terrestre, o consulado registra que o ingresso pela província de Corrientes acontece pela Ponte Internacional Paso de los Libres-Uruguaiana e pela Ponte Internacional Santo Tomé-São Borja, e informa que a ponte internacional fica aberta 24 horas, todos os dias, para entrada e saída. A informação oficial está no singular, então confirme o horário da travessia que você pretende usar antes de pegar a estrada. Quem vai de avião deve conferir a lista de aeroportos habilitados no site da Migrações argentina antes de fechar o roteiro.
A pegadinha da conexão por um país fora do acordo
Esta é a parte que custa dinheiro.
A dispensa de passaporte vale entre os países do acordo, e a tabela oficial de documentos de viagem do Mercosul lista quais são: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai. Qualquer país fora dessa lista não reconhece o seu RG como documento de viagem. A comparação vizinho por vizinho, com o que cada país aceita e quanto tempo autoriza, está no guia de passaporte para viajar na América do Sul.
⚠️ Venezuela, Guiana e Suriname ficam fora dessa conta. A tabela oficial registra duas ressalvas escritas na própria página: a Venezuela aplica a norma, por ora, apenas com a Argentina, e o Brasil aplica com todos os signatários exceto a Venezuela, por reciprocidade. Guiana e Suriname aparecem na lista da Polícia Federal como países membros ou associados do Mercosul, mas não constam da tabela de documentos de viagem aceitos. Trate os três como se exigissem passaporte e confirme a exigência de visto com a representação consular do país.
Onde isso pega, na prática:
- Voo com escala no Panamá ou em qualquer hub de fora da lista. Passou o controle migratório de um país que não é do acordo, acabou a dispensa. Escala em país da lista não cria esse problema: uma conexão em Santiago, por exemplo, segue a mesma regra explicada no guia de passaporte para o Chile.
- Conexão nos Estados Unidos. Além do passaporte, é preciso visto americano: não existe trânsito internacional que dispense o visto para brasileiros em solo americano. O que o passaporte precisa cumprir para essa viagem está no guia de passaporte para os Estados Unidos.
- A volta. Muita gente confere só a ida. Se o retorno tem escala diferente, ele conta igual.
Regra prática, e vale colar na geladeira: olhe o bilhete inteiro, não o destino final. Se qualquer trecho toca um país de fora da lista, o passaporte deixa de ser opcional.
Quer tirar seu passaporte sem se perder na burocracia?
A Viaggi Vistos cuida da parte chata para você: preenchemos o formulário da Polícia Federal, emitimos a GRU, agendamos o atendimento no posto e conferimos os seus documentos antes do dia, para você não perder o agendamento por detalhe. São R$ 100 por solicitante, e a taxa de R$ 257,25 você paga direto à Polícia Federal. Fale com a gente no WhatsApp e comece hoje.
FAQ - Perguntas Frequentes
Precisa de passaporte para ir à Argentina?
Não, se a viagem for de turismo. A carteira de identidade física é documento de viagem válido para a Argentina por força do acordo de documentos de viagem do Mercosul, e a Polícia Federal confirma que dá para viajar sem passaporte para os países do bloco quando o motivo é turismo. Para trabalho, estudo, residência, saúde ou qualquer outra finalidade, o passaporte é obrigatório.
Precisa de visto para a Argentina?
Não. O brasileiro entra na Argentina como turista sem visto. A Direção Nacional de Migrações da Argentina exige do turista apenas passaporte vigente, cédula de identidade vigente ou documento de viagem hábil, e o Brasil está entre os países cuja cédula de identidade é aceita.
Dá para entrar na Argentina com o RG antigo?
Depende do estado do documento, e de quem vai olhar para ele. A Polícia Federal trata o tema em duas páginas: uma enuncia a identidade emitida há menos de 10 anos como condição da dispensa, a outra explica que a identidade não tem prazo de validade por lei e que os 10 anos são o limite a partir do qual companhias aéreas, bancos e cartórios podem recusar o documento, por medida de segurança contra fraudes. O que a PF pede em ambas é viagem a turismo, cédula em bom estado de conservação e fotografia que ainda identifique plenamente o titular. Na prática o efeito é o mesmo: se a companhia aérea não aceitar, a viagem acaba no check-in. Havendo dúvida quanto à data de emissão, à conservação ou à foto, a própria PF recomenda consultar a companhia aérea com antecedência.
A CIN serve para viajar para a Argentina?
Sim. O governo federal informa que a CIN pode ser utilizada no exterior em países com os quais o Brasil tem acordo de viagem, citando expressamente os países do bloco do Mercosul, e que ela não substitui o passaporte nos demais países. A Argentina, por sua vez, aceita a cédula de identidade expedida por unidade da federação com validade nacional, que é o que a CIN é. Leve a via física: a versão digital não é aceita na fronteira.
A CNH serve para entrar na Argentina?
Não. A Polícia Federal é explícita: CNH, carteira da OAB, CRM ou certidão não são aceitas como documento de viagem, qualquer que seja o motivo da viagem. A CNH física serve para dirigir na Argentina, não para cruzar a fronteira.
Quanto tempo posso ficar na Argentina como turista?
Até três meses, prorrogáveis por outro período similar. A prorrogação é pedida na Direção Nacional de Migrações ou nas delegações e escritórios migratórios espalhados pelo país. Turista, na definição argentina, é o estrangeiro que entra com propósito de descanso ou lazer.
Menor de idade precisa de quê para ir à Argentina?
De duas coisas que ninguém deve confundir. Na saída do Brasil, a Polícia Federal exige autorização de viagem para o menor de 18 anos que embarca sozinho ou na companhia de apenas um dos pais ou responsáveis. Na entrada da Argentina, a regra local exige autorização para o menor que ainda não completou 13 anos e que não venha acompanhado nem seja aguardado por quem exerce a responsabilidade parental ou por terceiro autorizado. O documento de viagem do menor segue a mesma regra do adulto: carteira de identidade física ou passaporte.
Se a viagem tiver conexão em outro país, preciso de passaporte?
Se a conexão for em país fora do acordo do Mercosul, sim. A tabela oficial de documentos de viagem do bloco traz Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru e Uruguai. Venezuela, Guiana e Suriname ficam fora dessa conta: a tabela registra que a Venezuela aplica a norma, por ora, apenas com a Argentina, e que o Brasil aplica com todos os signatários exceto a Venezuela, por reciprocidade; Guiana e Suriname não constam da lista de documentos aceitos, ainda que a Polícia Federal os cite entre os países membros ou associados do bloco. Trate os três como se exigissem passaporte e confirme no consulado. Uma escala no Panamá ou nos Estados Unidos, por exemplo, tira a viagem desse desenho e exige passaporte (e, no caso americano, também visto). Vale conferir o bilhete inteiro, ida e volta, não só o destino final.







