A diferença central entre o visto de trabalho americano e o de turismo é quem faz o pedido: no B1/B2 é você, no H-1B e no L-1 é a empresa. Nenhum dos dois se tira sozinho, e não existe visto de trabalho que a pessoa obtenha primeiro para procurar emprego depois. Este guia explica como as duas categorias funcionam e o que mudou em 2026.
Resposta rápida
O caminho é sempre o mesmo: o empregador americano protocola o Form I-129 no USCIS, o USCIS aprova, e só então o trabalhador preenche o DS-160 e vai à entrevista. O H-1B é para ocupação especializada, tem cota anual e passou a usar seleção por faixa salarial em 2026. O L-1 é transferência dentro da mesma empresa, sem cota, mas exige relação societária qualificada e 1 ano de trabalho no exterior.
⚠️ A Viaggi Vistos é especialista no B1/B2 e não atua com visto de estudo, trabalho ou imigração. Este artigo é informativo. Se o seu caso é o H-1B ou o L-1, o caminho é a empresa patrocinadora e um advogado de imigração.
Neste guia:
- Quem pede o visto de trabalho
- H-1B: ocupação especializada
- A cota e a seleção nova
- L-1: transferência interna
- Dupla intenção
- O que checar antes de acreditar
Quem pede o visto de trabalho: não é você
Esta é a informação que mais economiza tempo de quem está pesquisando. No visto de turismo, o solicitante é a pessoa. Num visto de trabalho americano, a pessoa é a beneficiária, e quem peticiona é o empregador nos Estados Unidos.
O fluxo completo:
- A empresa americana protocola o Form I-129 no USCIS (no H-1B, precedido de uma LCA certificada pelo Departamento do Trabalho).
- O USCIS aprova e emite o I-797.
- Só então o trabalhador preenche o DS-160, paga a taxa e faz a entrevista no consulado.
Ou seja: sem uma empresa disposta a patrocinar, não há processo para iniciar. Vale ler também o panorama de tipos de visto americano para situar as letras.
H-1B: o visto da ocupação especializada
O H-1B é para specialty occupation: uma ocupação que exige aplicação teórica e prática de conhecimento altamente especializado e um diploma de bacharelado ou superior em especialidade diretamente relacionada às funções como requisito mínimo de entrada. Esse "diretamente relacionada" é levado a sério: precisa haver conexão lógica entre o diploma exigido e o que a pessoa vai fazer.
Pontos práticos:
- Prazo: até 3 anos, prorrogável por mais 3, num total de 6 anos. Há prorrogações além do sexto ano para quem já tem processo de residência permanente em andamento.
- Sócio controlador: quem detém participação de controle no peticionário (mais de 50% ou maioria dos votos) fica limitado a 18 meses na petição inicial e mais 18 na primeira extensão.
- Portabilidade: dá para começar no novo empregador assim que a nova petição não frívola for protocolada. Em caso de demissão, existe um prazo de até 60 dias corridos ou o fim da validade, o que vier primeiro.
- Dependentes: cônjuge e filhos solteiros menores de 21 entram como H-4. Alguns cônjuges H-4 podem pedir autorização de trabalho, se o titular já iniciou o processo de residência permanente por emprego.
A cota anual e a seleção que mudou em 2026
O H-1B tem cota: 65.000 vistos por ano fiscal, mais 20.000 para quem tem mestrado ou título superior de instituição americana. Universidades, entidades sem fins lucrativos afiliadas e organizações de pesquisa sem fins lucrativos ou governamentais são isentas da cota, o que quase nunca aparece nos textos em português.
E aqui está a mudança que a maioria dos sites ainda não incorporou: deixou de ser sorteio aleatório. Uma regra final publicada em dezembro de 2025, vigente desde 27 de fevereiro de 2026, criou uma seleção ponderada pela faixa salarial da vaga:
| Faixa salarial da vaga | Entradas no pool |
|---|---|
| Nível IV | 4 |
| Nível III | 3 |
| Nível II | 2 |
| Nível I | 1 |
Cada beneficiário continua contando uma só vez para a cota. O registro costuma abrir em março, e a cota do ano fiscal de 2027 já foi atingida, tanto na parcela regular quanto na de mestrado, segundo aviso do próprio USCIS. Quem procurar em agosto de 2026 vai ler que "o registro é em março" e precisa entender que o próximo ciclo é o seguinte.
⚠️ Sobre a taxa de US$ 100 mil que saiu na imprensa: ela existiu por proclamação de setembro de 2025, mas foi anulada por decisão judicial em 8 de junho de 2026, e o tribunal de apelação negou a suspensão dessa decisão em 24 de julho de 2026. O DHS afirma que discorda e que voltará a cobrar se a ordem for revertida. Ou seja, é assunto sub judice: não acredite em texto que afirme, sem data, que a cobrança existe ou que acabou de vez.
L-1: a transferência dentro da mesma empresa
O L-1 serve para mover um funcionário de uma empresa no exterior para a operação americana do mesmo grupo. Dois requisitos filtram quase tudo:
- o empregador americano precisa ter relação qualificada com a empresa estrangeira (matriz, filial, subsidiária ou afiliada) e estar operando como empregador nos EUA e em pelo menos outro país durante toda a estadia;
- o empregado precisa ter trabalhado para a organização no exterior por 1 ano contínuo dentro dos 3 anos anteriores à admissão.
Prazos:
| Categoria | Perfil | Estadia inicial | Teto |
|---|---|---|---|
| L-1A | Executivo ou gerente | 3 anos (1 ano se for escritório novo) | 7 anos |
| L-1B | Conhecimento especializado | 3 anos (1 ano se for escritório novo) | 5 anos |
⚠️ O ponto que desmonta a promessa de "abra uma empresa e tire o L-1": o USCIS exige que a operação seja o fornecimento regular, sistemático e contínuo de bens ou serviços, e diz expressamente que a mera presença de um agente ou de um escritório não basta. No caso de escritório novo, a estadia inicial é de apenas 1 ano, e é preciso provar, nesse prazo, que a operação sustenta um cargo executivo ou gerencial.
Cônjuge e filhos solteiros menores de 21 entram como L-2, com o mesmo prazo do titular.
Dupla intenção: o detalhe que muda a entrevista
A lei americana diz que, para H-1B e L-1, ser beneficiário de uma petição de residência permanente não é prova de intenção de abandonar a residência no exterior. Isso se chama dupla intenção, e muda literalmente o que se pode dizer na entrevista.
O F-1 não tem essa proteção: o estudante continua sujeito ao requisito de residência no exterior e à presunção de imigração que derruba a maioria dos pedidos. É por isso que a mesma resposta ("pretendo tentar ficar") funciona num caso e afunda no outro. Se o seu interesse é o visto de estudante, veja o guia do visto F-1.
O que checar antes de acreditar em qualquer número
Esta é a área do visto americano que mais muda, e por isso vale a regra: desconfie de valor em dólar publicado sem data.
- As taxas do USCIS são reajustadas e há taxas adicionais que dependem do porte do empregador e do tipo de petição. Confirme na tabela oficial do USCIS no dia.
- O status da taxa de US$ 100 mil está em disputa judicial e pode mudar de novo.
- Salário mínimo da vaga depende do prevailing wage por ocupação e por região, então não existe um número único.
- Datas de registro do próximo ciclo não são anunciadas com muita antecedência.
O que não muda é o desenho: a empresa peticiona, o USCIS aprova, o consulado entrevista.
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FAQ - Perguntas Frequentes
Como conseguir um visto de trabalho para os EUA?
Você não pede sozinho. Num visto de trabalho americano quem inicia o processo é o empregador nos Estados Unidos, protocolando o Form I-129 no USCIS. Só depois de a petição ser aprovada é que o trabalhador preenche o DS-160 e faz a entrevista no consulado. Não existe visto de trabalho que a pessoa tire por conta própria para depois procurar emprego por lá.
O que é o visto H-1B?
É o visto de trabalho temporário para specialty occupation, uma ocupação que exige conhecimento altamente especializado e, no mínimo, um diploma de bacharelado em especialidade diretamente relacionada às funções. A empresa precisa apresentar uma LCA certificada pelo Departamento do Trabalho junto com a petição. A estadia inicial é de até 3 anos, prorrogável por mais 3, num total de 6.
O H-1B ainda é sorteio?
Não é mais sorteio puro. Uma regra final publicada em dezembro de 2025 e vigente desde 27 de fevereiro de 2026 trocou o sorteio aleatório por seleção ponderada pela faixa salarial da vaga: quem oferece salário de nível IV entra quatro vezes no pool, nível III três vezes, nível II duas e nível I uma. Cada beneficiário continua contando uma só vez para a cota.
Qual é a cota anual do H-1B?
São 65.000 vistos por ano fiscal, mais 20.000 reservados a quem tem mestrado ou título superior obtido em instituição americana. Universidades, entidades sem fins lucrativos a elas afiliadas e organizações de pesquisa sem fins lucrativos ou governamentais são isentas da cota. O registro costuma abrir em março, e a cota do ano fiscal de 2027 já foi atingida.
O que é o visto L-1?
É o visto de transferência dentro da mesma organização. Exige que o empregador americano tenha relação qualificada com a empresa estrangeira (matriz, filial, subsidiária ou afiliada) e que o empregado tenha trabalhado nela no exterior por 1 ano contínuo dentro dos 3 anos anteriores. O L-1A, para executivo ou gerente, vai até 7 anos; o L-1B, para conhecimento especializado, até 5 anos.
Dá para abrir uma empresa nos EUA e tirar um L-1?
Existe a modalidade de escritório novo, mas ela é bem mais exigente do que costuma ser vendida. O USCIS exige espaço físico já contratado, comprovação de que o empregado atuou 1 ano como executivo ou gerente e a demonstração de que o escritório americano vai sustentar uma posição executiva em 1 ano. Nesse caso a estadia inicial é de apenas 1 ano, e a mera presença de um agente ou de um endereço não caracteriza operação.
H-1B e L-1 permitem pedir green card?
Sim. As duas categorias admitem dupla intenção: pela lei americana, ser beneficiário de uma petição de residência permanente não serve como prova de que a pessoa pretende abandonar a residência no exterior. Isso é o oposto do que acontece no F-1, que continua sujeito à presunção de imigração do INA 214(b).
A Viaggi Vistos cuida de visto de trabalho?
Não. A Viaggi é especialista no B1/B2, o visto de turismo e negócios, e não atua com visto de estudo, trabalho ou imigração. Como quem peticiona um visto de trabalho é a empresa americana, o caminho é falar com o empregador e com um advogado de imigração. Este guia é informativo.







