A troca de status (em inglês, change of status) é o pedido feito ao governo americano para mudar de categoria sem sair dos Estados Unidos. Este guia trata de quem entrou como turista, com visto B1/B2, e decide estudar: em vez de voltar ao Brasil, a pessoa pede ao USCIS a mudança para o status de estudante F-1.
O procedimento é legal, mas tem regras rígidas e custo. E deixa uma marca no histórico migratório que pesa muito na hora de pedir de novo o visto de turista.
⚠️ A Viaggi Vistos é especialista no visto B1/B2 e, no momento, não atende a troca de status, o visto de estudante F-1 nem o pedido de visto de turista de quem já trocou de status. Este guia é informativo. Para decidir o seu caso, fale com a escola americana e com um advogado de imigração habilitado nos EUA.
Conferimos as fontes oficiais em 6 de outubro de 2026. Valores e regras podem mudar; confira sempre a página do USCIS antes de protocolar.
O que é a troca de status, e por que ela não é um visto novo
Visto e status são coisas diferentes. O visto é o documento colado no passaporte, emitido por um consulado americano, que permite pedir a entrada no país. O status é a condição em que você foi admitido e o prazo que pode ficar, registrados no I-94.
A troca de status muda o status, não o visto. Ela também não se confunde com a extensão de permanência como turista, que usa o mesmo formulário para ficar mais tempo na mesma categoria.
Quem pode pedir a troca de turista para estudante
Pelas regras do USCIS, em geral pode pedir a troca quem:
- Foi admitido legalmente nos EUA como não imigrante.
- Está com o status válido na data do protocolo, ou seja, antes da data-limite do I-94.
- Não violou as condições do status, por exemplo estudando ou trabalhando sem autorização.
- Não tem crimes ou outros fatos que o tornem inelegível.
Com o status já vencido, a troca não é aprovada. A exceção é rara: o USCIS pode, a seu critério, aceitar o atraso causado por circunstâncias extraordinárias fora do controle do solicitante, desde que não haja outra violação, segundo o 8 CFR 248.1(b). Quem está como estudante M-1 não pode mudar para F-1 dentro do país.
Passo a passo da troca de B1/B2 para F-1
O USCIS lista 4 etapas para aprovar a mudança de turista para estudante:
- Ser aceito por uma escola certificada pelo SEVP, o programa do governo americano que autoriza escolas a receber estudantes estrangeiros.
- Receber da escola o I-20 inicial com o motivo "change of status" no campo Issue Reason.
- Pagar a taxa SEVIS I-901, de US$ 350, antes do protocolo.
- Protocolar o Formulário I-539 no USCIS, online ou pelo correio, antes do vencimento do I-94.
O USCIS sugere protocolar com pelo menos 45 dias de antecedência do fim da estadia autorizada e, em geral, não mais de 6 meses antes.
Documentos do I-539 para estudante F-1
Para a mudança para F-1, as regras oficiais pedem:
- Cópia do I-94 (instruções do I-539).
- Cópia do I-20 (instruções do I-539).
- Prova de recursos para pagar os estudos e o sustento do estudante e dos dependentes (instruções do I-539), no valor que consta no I-20 (8 CFR 214.2(f)(1)(i)(B)).
- Passaporte válido por todo o período de estadia pedido na nova categoria (página do I-539).
O USCIS pode chamar para coleta de biometria ou entrevista. Faltar à biometria pode levar à negativa.
Quanto custa a troca de status em 2026
Valores das tabelas oficiais conferidos em 6 de outubro de 2026:
| Item | Valor | Fonte |
|---|---|---|
| Formulário I-539, envio online | US$ 420 | Tabela G-1055 do USCIS, edição de 2026-10-01 |
| Formulário I-539, envio em papel | US$ 470 | Tabela G-1055, edição de 2026-10-01 |
| Taxa SEVIS I-901 (F-1) | US$ 350 | ICE/SEVP |
| Processamento expresso (I-907), opcional | US$ 2.075 | Tabela G-1055, edição de 2026-10-01 |
Pontos que costumam pegar o solicitante desprevenido:
- Sem reembolso. Se o pedido for negado, nem a taxa do I-539 nem a SEVIS são devolvidas. A SEVIS também não é devolvida se o pedido for retirado.
- Taxa errada derruba o pedido. Valor incorreto leva à rejeição.
- Forma de pagamento. Online, o pagamento é pelo Pay.gov. Pelo correio, o pagamento é por cartão (formulário G-1450) ou por débito em conta bancária americana (formulário G-1650). O pagamento em papel só é aceito para quem se enquadra na dispensa do pagamento eletrônico, com o formulário G-1651.
- Processamento expresso não garante aprovação. Ele garante uma ação do USCIS no caso (aprovação, negativa ou pedido de mais provas) em 30 dias úteis contados depois de cumpridos os pré-requisitos.
A tabela G-1055 não traz taxa de biometria separada para o I-539.
O que acontece enquanto o pedido está em análise
Durante a análise, estas condutas podem comprometer o pedido:
- Não comece o curso. Pelo 8 CFR 214.2(b)(7), quem está como turista viola o status ao se matricular no curso regular. Pelo 8 CFR 248.1(c)(3), o USCIS nega a troca de quem se matriculou antes do protocolo ou com o pedido pendente.
- Não saia dos EUA. Viajar com o pedido pendente faz o USCIS considerar o pedido abandonado, segundo o Policy Manual do USCIS.
- Não trabalhe. O pedido pendente não autoriza trabalho nenhum, nem remoto para empresa brasileira.
- Acompanhe o calendário da escola. Se o USCIS não decidir até 15 dias antes do início das aulas, avise o responsável da escola pelos estudantes estrangeiros (DSO). Sem aprovação antes do início, peça o adiamento no SEVIS antes da data do I-20, para o registro não ser encerrado.
Protocolar o I-539 dentro do prazo não prorroga o status de turista automaticamente. Se o I-94 vencer antes da decisão, a situação passa a seguir regras técnicas próprias sobre status e presença ilegal, e uma negativa nessa fase pode ter consequências sérias. Nesse cenário, procure um advogado de imigração habilitado nos EUA.
No F-1, o USCIS não exige mais pedidos de "ponte" (bridge) para cobrir o intervalo entre o fim do I-94 e o início do curso: basta o status estar válido no protocolo. No M-1 é diferente: é preciso manter status até 30 dias antes do curso, o que muitas vezes exige um segundo I-539.
O prazo médio de análise muda com frequência e é publicado na página de tempos de processamento do USCIS.
Depois da aprovação: status F-1 não é visto F-1
Com a troca aprovada, você passa a ser estudante F-1 dentro dos EUA, mas nenhum visto novo é colado no passaporte: visto só é emitido por embaixada ou consulado americano fora dos EUA.
- Dentro do país, o status aprovado basta para estudar.
- Para viajar e voltar, em regra é preciso tirar o visto F-1 num consulado. A exceção é a revalidação automática do 22 CFR 41.112(d): depois de uma viagem de até 30 dias apenas ao Canadá, ao México ou a ilhas próximas (exceto Cuba), o visto anterior pode ser considerado válido e convertido para F-1. Para isso, é preciso ter I-94 válido, o I-20 em dia e endossado pela escola, ter mantido o status, ter passaporte válido e não ter pedido visto novo durante a viagem. Não é garantia de readmissão.
- Trabalho: o F-1 permite trabalho limitado e sob condições, como o trabalho no campus e os estágios ligados ao curso, sempre dentro das regras da escola e do USCIS. Mesmo aprovado, é proibido começar a trabalhar mais de 30 dias antes do início do curso.
Para entender a categoria de estudante como um todo, veja o guia do visto de estudante F-1.
Entrar como turista já pensando em estudar: o que dizem as regras
O visto de turista não serve para curso regular. O que ele permite é o estudo incidental: curso estritamente recreativo, sem objetivo de diploma e sem crédito acadêmico, de até 18 horas semanais e por até 3 meses. Curso que dê diploma ou crédito acadêmico, mesmo curto, exige o status de estudante (F-1 ou M-1) antes da matrícula, pelo visto no consulado ou pela troca de status aprovada pelo USCIS.
As regras oficiais tratam de duas situações:
- Quem quer conhecer escolas antes de decidir pode receber um B-2 para isso, se também parecer qualificado para o visto de estudante, segundo o manual consular do Departamento de Estado (9 FAM 402.5-5(R)(3)). Mesmo assim, pelo 8 CFR 214.2(b)(7), quem entra com esse B-2 só pode se matricular no curso depois de o USCIS aprovar a troca de status ou de voltar aos EUA com o visto de estudante.
- A regra dos 90 dias. Pelo 9 FAM 302.9-4(B)(3)(g)(2), na versão de 2024-05-31, se a pessoa age de forma incompatível com o status dentro de 90 dias do pedido de visto ou da entrada nos EUA, por exemplo se matriculando num curso sem a troca aprovada, o cônsul pode presumir que ela mentiu ao pedir o visto ou na entrada. O solicitante tem direito de tentar refutar essa presunção. Só protocolar a troca de status não basta para acionar a presunção.
Trocar de status nos EUA ou voltar e pedir o F-1 no Brasil?
Essa é a dúvida mais comum, e a resposta honesta não é simples.
O caminho formalmente correto é voltar ao Brasil e pedir o visto F-1 no consulado. É o caminho que o próprio USCIS indica para quem quer ser estudante a partir de fora do país.
Na experiência da Viaggi Vistos, porém, o índice de negativa do visto F-1 é altíssimo. Voltar ao Brasil para pedir o F-1 também tem risco alto, inclusive o de o consulado cancelar o visto de turista durante o processo do F-1.
Do outro lado, a troca de status feita nos EUA pesa muito numa futura renovação do visto de turista, como explicamos a seguir. Os dois caminhos têm custo. A decisão é do solicitante, de preferência com a orientação de um advogado de imigração que conheça o caso inteiro.
A troca de status prejudica a renovação do visto?
Sim. Na experiência da Viaggi Vistos, o risco de negativa ao pedir de novo o visto de turista depois de uma troca de status é muito alto.
Entrar como turista e trocar para estudante já é uma prática conhecida pelos consulados americanos. Na entrevista, o oficial tende a ler o histórico como sinal de que a pessoa entrou como turista já com outra intenção.
Há também uma pergunta lógica que costuma aparecer: como a pessoa se manteve meses ou anos nos Estados Unidos, pagando aluguel, alimentação e transporte, com as restrições de trabalho do status em que estava?
Não existe negativa automática. A decisão é individual, e o histórico precisa ser explicado com coerência: finalidade, sustento, atividades e vínculos com o Brasil durante todo o período. O mesmo raciocínio vale para quem pediu extensão de permanência como turista e para o processo de renovação do visto americano em geral.
O que mudou em 2026
- Prazo fixo para estudantes está suspenso. A regra publicada em 2026-07-17, que trocaria a "duração de status" (D/S) dos estudantes por prazo fixo, teve a vigência adiada por decisão judicial em 2026-09-14. Detalhes em regra de prazo fixo para estudantes e o adiamento judicial.
- Edição do formulário. Por causa dessa decisão, o USCIS aceita apenas a edição de 08/28/24 do I-539 e recusa a de 09/15/26, segundo a página do I-539 atualizada em 2026-09-15.
Se a decisão judicial cair, prazos e edição do formulário podem mudar. Vamos atualizar este guia quando isso acontecer.
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Perguntas frequentes
Como funciona a troca de status nos EUA?
A troca de status (change of status) é o pedido feito ao USCIS, dentro dos Estados Unidos, para passar de uma categoria de não imigrante para outra sem sair do país. Um exemplo é quem entrou como turista, com B1/B2, e pede a mudança para estudante F-1 pelo Formulário I-539. A troca muda o status registrado pelo governo americano; ela não coloca um visto novo no passaporte.
Como mudar o status de turista para estudante nos EUA?
São 4 etapas, segundo o USCIS: ser aceito por uma escola certificada pelo SEVP, receber dela o I-20 com o motivo "change of status", pagar a taxa SEVIS I-901 e protocolar o Formulário I-539, online ou pelo correio, enquanto o status de turista ainda está válido. Junto vão a cópia do I-94, a cópia do I-20 e a prova de recursos no valor que consta no I-20.
Quanto custa a troca de status de turista para estudante em 2026?
Em 2026-10-06, as taxas oficiais eram de US$ 420 pelo Formulário I-539 no envio online (US$ 470 em papel), pela tabela G-1055 do USCIS, mais US$ 350 da taxa SEVIS I-901. O processamento expresso é opcional e custa mais US$ 2.075. Se o pedido for negado, nem a taxa do I-539 nem a SEVIS são devolvidas, e a SEVIS também não é reembolsada se o pedido for retirado.
Posso começar o curso enquanto o pedido de troca de status está em análise?
Não. Pelo 8 CFR 214.2(b)(7), quem está como B-1 ou B-2 viola o status ao se matricular no curso regular, como o do I-20, e pelo 8 CFR 248.1(c)(3) o USCIS nega a troca de quem se matriculou antes de protocolar ou com o pedido pendente. Se a aprovação não sair a tempo, peça ao responsável da escola pelos estudantes estrangeiros (DSO) o adiamento do início no SEVIS antes da data de início que consta no I-20, para o registro não ser encerrado.
Posso sair dos EUA enquanto espero a decisão da troca de status?
Sair do país com o pedido pendente faz o USCIS considerar o pedido abandonado, segundo o Policy Manual do USCIS lido em 2026-10-06. Quem viaja nessa fase perde a troca de status e, para estudar, precisa pedir o visto F-1 num consulado.
Depois de aprovada a troca de status, eu tenho visto F-1 no passaporte?
Não. O USCIS aprova o status, e visto só é emitido por embaixada ou consulado americano fora dos EUA. Enquanto você estiver nos Estados Unidos, o status F-1 aprovado basta. Para voltar depois de uma viagem ao exterior, em regra é preciso tirar o visto F-1 num consulado; a revalidação automática do 22 CFR 41.112(d) é uma exceção limitada a viagens de até 30 dias apenas ao Canadá, ao México ou a ilhas próximas (exceto Cuba), com I-94 válido, I-20 em dia, status mantido e sem pedir visto novo durante a viagem, e não é garantia de readmissão.
Quanto tempo posso ficar nos EUA com visto de estudante?
Hoje não há prazo fixo em anos: o estudante F-1 é admitido pela "duração do status" (D/S) e pode ficar enquanto mantiver as condições do status de estudante, o que não significa permanência ilimitada. A regra publicada em 2026-07-17, que trocaria o D/S por prazo fixo, teve a vigência adiada por decisão judicial em 2026-09-14, e o USCIS segue as regras anteriores enquanto durar a suspensão.
É melhor trocar de status nos EUA ou voltar ao Brasil e pedir o visto F-1?
O caminho formalmente correto é voltar ao Brasil e pedir o visto F-1 no consulado. Na experiência da Viaggi Vistos, porém, o índice de negativa do F-1 é altíssimo, então voltar também traz risco alto, inclusive de cancelamento do visto de turista. A troca de status nos EUA, por sua vez, pesa muito numa futura renovação do visto de turista. A decisão é do solicitante, de preferência com orientação de um advogado de imigração.
A troca de status prejudica a renovação do visto americano?
Sim, o risco é muito alto, na experiência da Viaggi Vistos. Entrar como turista e trocar para estudante já é uma prática conhecida pelos consulados americanos, e esse histórico aumenta muito as chances de negativa quando a pessoa pede de novo o visto de turismo B1/B2. Não existe negativa automática, mas o histórico precisa ser explicado com coerência na entrevista.
Já troquei de status, ainda consigo tirar o visto de turista de novo?
A troca de status não impede, por si só, um novo pedido de visto de turista. Na experiência da Viaggi Vistos, porém, o risco de negativa é muito alto, porque o consulado conhece a prática de entrar como turista para trocar de status e vai querer entender finalidade, sustento, atividades e vínculos com o Brasil durante todo o período nos EUA.
Posso trabalhar depois de trocar de status para estudante?
O F-1 permite trabalho limitado e sob condições, como o trabalho no campus e os estágios ligados ao curso, sempre dentro das regras da escola e do USCIS; ele não autoriza trabalho comum. Enquanto o pedido está pendente, nada autoriza trabalho: até a data que consta no I-94 você segue como turista, sem permissão para nenhum trabalho, nem remoto para empresa brasileira, e o pedido em análise também não dá essa permissão. Mesmo com o F-1 aprovado, é proibido começar a trabalhar mais de 30 dias antes do início do curso.
Trocar de status dentro dos EUA é ilegal?
Não: a troca de status está prevista na lei de imigração americana e é decidida pelo USCIS. Ilegal é se matricular, enquanto se está como turista, em curso que exige o visto de estudante, como o curso regular ou o que dá diploma ou crédito acadêmico, mesmo curto. O ponto de atenção é outro: o efeito que a troca deixa no histórico migratório, que, na experiência da Viaggi Vistos, pesa muito num novo pedido do visto de turista B1/B2.








