Seguro viagem é obrigatório na Europa? A resposta curta: depende do país. A regra comum do espaço Schengen não exige seguro de quem entra sem visto, como o brasileiro em viagem de turismo de até 90 dias, mas 8 países exigem pela própria lei ou orientação oficial, entre eles a França.

Conferimos as fontes oficiais de cada país em 7 de outubro de 2026. Regras de entrada mudam: confira sempre a fonte do seu destino antes de viajar.

A regra europeia: o seguro não é condição comum de entrada para quem não precisa de visto

O Código das Fronteiras Schengen (Regulamento (UE) 2016/399, art. 6.º) lista as condições de entrada de quem vem de fora da União Europeia, e o seguro não está entre elas. O mínimo de € 30.000 em despesas médicas que tanta gente repete vem de outra norma, o Código de Vistos (Regulamento (CE) 810/2009, art. 15), e vale para quem pede visto Schengen.

A Comissão Europeia confirmou isso no relatório COM(2021) 92, de 2 de março de 2021: quem é isento de visto não precisa apresentar prova de seguro, e o seguro não é condição de entrada. Como o brasileiro não precisa de visto para estadas de até 90 dias em qualquer período de 180, a regra dos € 30.000 do Código de Vistos não se aplica a ele.

O que muda o quadro são as regras nacionais: alguns países exigem o seguro pela própria lei ou orientação oficial, também de quem entra sem visto.

Quais países exigem e quais não exigem

Esta é a resposta em três colunas, com a situação para o brasileiro que entra sem visto, conferida em 7 de outubro de 2026:

Exigem seguro (8)Fontes oficiais divergem (2)Não exigem (22)
França (€ 30.000), Bélgica (€ 30.000, segundo a embaixada), Luxemburgo (€ 30.000, segundo o portal oficial), Chéquia (€ 30.000), Lituânia (€ 5.792), Letônia, Estônia e BulgáriaPortugal e RomêniaEspanha, Itália, Alemanha, Países Baixos, Áustria, Suíça, Grécia, Croácia, Eslovênia, Malta, Hungria, Eslováquia, Polônia, Dinamarca, Suécia, Noruega, Finlândia, Islândia, Liechtenstein, Reino Unido, Irlanda e Chipre

Na coluna do meio, uma página oficial trata o seguro como obrigatório na fronteira, mas a lei de estrangeiros e outros órgãos oficiais do próprio país não o citam entre as condições de entrada (veja abaixo onde as fontes divergem). Na coluna da direita, alguns países recomendam o seguro, e na Espanha, na Hungria e nos Países Baixos uma fonte oficial diz que ele pode ser pedido na fronteira. A tabela completa abaixo mostra cada caso e a fonte.

A lista completa, país por país

PaísSeguro para o brasileiro sem vistoCobertura mínimaFonte oficial (data)
AlemanhaRecomendaNenhumaEmbaixada da Alemanha no Brasil (2026-04-28)
ÁustriaNão exigeNenhumaMinistério do Interior (2026-09-15)
BélgicaExige€ 30.000Embaixada da Bélgica no Brasil (2026-06-23)
BulgáriaExigeValor não confirmado em fonte oficialMinistério da Saúde, Lei de Saúde, art. 83 (sem data)
ChéquiaExige€ 30.000Ministério das Relações Exteriores (sem data) e Polícia de Estrangeiros (2026-04-24)
CroáciaNão exigeNenhumaRegulamento NN 136/2021, art. 8
DinamarcaNão exigeNenhumaServiço de Imigração (2025-10-15)
EslováquiaNão exigeNenhumaMinistério do Interior (2025-08-18)
EslovêniaNão exigeNenhumaGoverno da Eslovênia, página para brasileiros (2023-01-24)
EspanhaPode ser pedido na fronteiraNenhuma definidaConsulado-Geral do Brasil em Madri (2025-03-17)
EstôniaExigeSem valor mínimoLei de Estrangeiros, § 45 (redação vigente desde 2026-10-01)
FinlândiaNão exigeNenhumaMinistério das Relações Exteriores (2026-10-06)
FrançaExige€ 30.000Service-Public (verificado em 2025-10-12) e Embaixada da França no Brasil (2026-05-21)
GréciaNão exigeNenhumaLei 5038/2023, art. 6
HungriaPode ser pedido na fronteira€ 30.000, segundo o consuladoConsulado-Geral da Hungria em São Paulo (sem data)
IslândiaNão exigeNenhumaDiretoria de Imigração (sem data)
ItáliaNão exigeNenhumaPolizia di Stato (2021-01-26) e Ministério das Relações Exteriores (sem data)
LetôniaExigeSem valor mínimoMinistério das Relações Exteriores (2026-03-26) e Lei de Imigração, art. 6 (em vigor desde 2026-09-15)
LiechtensteinNão exigeNenhumaRegulamento de entrada e vistos, VEV (versão de 2025-10-12)
LituâniaExige€ 5.792Resolução do Governo 230/2005, item 8.1.1 (vigente desde 2015-10-13)
LuxemburgoExige€ 30.000, segundo o portal oficialLei de 2008-08-29, art. 34 (consolidada em 2026-06-12) e Guichet.lu (2026-09-07)
MaltaNão exigeNenhumaRegulamento S.L. 217.04 e Identità (2026-03-27)
NoruegaNão exigeNenhumaLei de Estrangeiros, §§ 10 e 17 (2025-09-23)
Países BaixosRecomendaNenhumaIND, serviço de imigração (2026-06-10)
PolôniaNão exigeNenhumaMinistério do Interior (sem data)
PortugalFontes divergem (veja abaixo)Nenhuma definidaConsulado-Geral de Portugal em Salvador (sem data); Embaixada e Lei 23/2007 não citam seguro
RomêniaFontes divergem (veja abaixo)Nenhuma definidaPolícia de Fronteira (sem data); a lei de estrangeiros, OUG 194/2002, art. 6, não cita seguro
SuéciaRecomenda€ 30.000 sugeridosMigrationsverket (sem data) e Embaixada da Suécia no Brasil (2024-09-17)
SuíçaRecomendaNenhumaDepartamento Federal de Saúde (2025-10-29)
Chipre (fora do Schengen)RecomendaNenhumaEmbaixada do Brasil em Nicósia (2025-06-11)
Irlanda (fora do Schengen)Lista entre os documentos úteisNenhumaIrish Immigration (2024-06-27)
Reino Unido (fora do Schengen)RecomendaNenhumaConsulado-Geral do Brasil em Londres (2024-10-22)

Onde as fontes oficiais divergem

Em alguns países, as fontes oficiais dizem coisas diferentes. A tabela traz a classificação que adotamos para cada um, mas vale conhecer a divergência:

  • Bélgica: a embaixada no Brasil diz que o seguro de € 30.000 é obrigatório para quem é isento de visto, mas a página do serviço de imigração belga não lista o seguro.
  • Portugal: só a página do Consulado-Geral de Portugal em Salvador, sem data e ainda com referência ao extinto SEF, diz que é preciso apresentar seguro de saúde na fronteira. A Embaixada de Portugal em Brasília e a Lei 23/2007 não o exigem.
  • Romênia: a Polícia de Fronteira fala em obrigação de apresentar seguro médico, da qual só estão isentos cidadãos da Albânia, da Croácia, da Moldávia e da Tunísia, e inclui o seguro entre os documentos de quem viaja a turismo. Já a lei de estrangeiros (OUG 194/2002, art. 6) não menciona o seguro expressamente: pede documentos que justifiquem o objetivo da estada, e é nessa lista que a Polícia de Fronteira inclui o seguro. A página de condições de entrada do Ministério das Relações Exteriores romeno também não cita seguro.
  • Espanha: o Ministério do Interior espanhol não cita o seguro; quem orienta levá-lo, caso seja solicitado, é o Consulado-Geral do Brasil em Madri.
  • Países Baixos: o serviço de imigração holandês diz que o seguro não é obrigatório, e o Consulado-Geral do Brasil em Amsterdã diz que ele pode ser solicitado.

Na dúvida, viaje com o seguro: o custo de ser questionado na fronteira, ou de precisar de um hospital sem cobertura, é muito maior.

Atenção: a exigência vale durante a estada

Na Chéquia, na Letônia, na Estônia e na Bulgária, a lei pede o seguro durante a estada, e não só na chegada; na Lituânia, a mesma exigência vem de uma resolução do governo. Como o controle de fronteira acontece no primeiro país do espaço Schengen em que você entra, quem chega por outro país e segue para eles também precisa estar com o seguro.

Exemplo: quem desembarca em Lisboa e segue de trem ou avião para Praga passa pela fronteira portuguesa, onde o seguro não é exigido por lei, mas precisa tê-lo na Chéquia.

Qual cobertura escolher

Onde existe valor oficial, ele costuma ser de € 30.000 em despesas médicas, como na França, na Bélgica, em Luxemburgo e na Chéquia. A Lituânia fixa € 5.792, e Letônia e Estônia não fixam valor. Num roteiro por vários países, confira a exigência de cada um e escolha uma cobertura que atenda à maior delas.

Também vale conferir se o seguro cobre despesas hospitalares e repatriação médica, como pede a Embaixada da França no Brasil, e se vale em todos os países do roteiro.

Onde contratar (e como economizar)

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Antes de viajar para a Europa

O seguro é só uma parte. Para entrar sem visto, o passaporte precisa valer pelo menos 3 meses depois da data prevista de saída do espaço Schengen e ter sido emitido há menos de 10 anos: veja a validade do passaporte para entrar na Europa. E, quando o ETIAS começar a funcionar, o brasileiro também vai precisar da autorização eletrônica: veja o guia do ETIAS para brasileiros.

Se a mesma viagem incluir os Estados Unidos, as regras de seguro são outras: veja se o seguro viagem é obrigatório para os EUA.

⚠️ A Viaggi Vistos não emite visto Schengen nem vende seguro. Este guia é informativo.

Fontes consultadas

Fontes oficiais conferidas em 7 de outubro de 2026:

  • União Europeia: Regulamento (UE) 2016/399 (Código das Fronteiras Schengen), Regulamento (CE) 810/2009 (Código de Vistos) e relatório COM(2021) 92 da Comissão Europeia.
  • Países do espaço Schengen: embaixadas, consulados, ministérios e leis de cada país citados na tabela, com a data de cada página.
  • Fora do Schengen: Consulado-Geral do Brasil em Londres, Irish Immigration e Embaixada do Brasil em Nicósia.
  • Itamaraty: Consulados-Gerais do Brasil em Madri, Barcelona e Amsterdã.
  • Ministério da Saúde: página do CDAM, o certificado de direito à assistência médica em Portugal, Itália e Cabo Verde.

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Casal brasileiro sorrindo no saguão do aeroporto, pronto para viajar

Perguntas frequentes

Seguro viagem é obrigatório para entrar na Europa?

Depende do país. A regra comum do espaço Schengen não exige seguro de quem entra sem visto, como o brasileiro em viagem de turismo de até 90 dias: o mínimo de € 30.000 do Código de Vistos (Regulamento (CE) 810/2009, art. 15) vale para quem pede visto, e a Comissão Europeia confirmou isso no relatório COM(2021) 92. Mas 8 dos 29 países do Schengen exigem o seguro pela própria lei ou orientação oficial: França, Bélgica, Luxemburgo, Chéquia, Lituânia, Letônia, Estônia e Bulgária (fontes conferidas em 2026-10-07). Em Portugal e na Romênia, as fontes oficiais divergem.

Quais países da Europa exigem seguro viagem do brasileiro?

Pelas fontes oficiais conferidas em 2026-10-07, exigem seguro do brasileiro que entra sem visto: França (cobertura mínima de € 30.000), Bélgica (€ 30.000, segundo a embaixada no Brasil), Luxemburgo (€ 30.000, segundo o portal oficial), Chéquia (€ 30.000), Lituânia (€ 5.792), Letônia, Estônia e Bulgária (essas três sem valor mínimo confirmado). Em Portugal e na Romênia, as fontes oficiais divergem: uma página oficial trata o seguro como obrigatório na fronteira, mas a lei de estrangeiros não o cita entre as condições de entrada. Nos demais países do espaço Schengen, e também no Reino Unido, na Irlanda e em Chipre, o seguro não é exigido, mas na Espanha, na Hungria e nos Países Baixos uma fonte oficial diz que ele pode ser pedido na fronteira, e a Irlanda o lista entre os documentos úteis.

Seguro viagem é obrigatório para Portugal?

Não por lei. A Embaixada de Portugal no Brasil cita, para a fronteira, a comprovação do motivo da viagem, do alojamento e dos meios de subsistência, sem falar de seguro, e a Lei 23/2007 não inclui o seguro entre as condições de entrada. Mas uma página do Consulado-Geral de Portugal em Salvador, sem data e ainda com referência ao extinto SEF, lista o seguro de saúde entre os documentos a apresentar às autoridades de fronteira e diz que a entrada pode ser recusada a quem não cumprir esses requisitos. Na dúvida, viaje com o seguro. O valor de € 30.000 que circula vale para quem pede visto.

Seguro viagem é obrigatório na França?

Sim. Segundo o Service-Public, portal oficial do governo francês (verificado em 2025-10-12), todo estrangeiro deve ter, ao cruzar a fronteira, seguro que cubra despesas médicas e hospitalares, com cobertura mínima de € 30.000, mesmo sem precisar de visto. A Embaixada da França no Brasil também orienta levar seguro de despesas médicas, hospitalares e de repatriação.

Seguro viagem é obrigatório para Itália e Espanha?

Não. Na Itália, as condições de entrada da Polizia di Stato e do Ministério das Relações Exteriores não citam seguro para quem entra sem visto. Na Espanha, o Ministério do Interior também não lista o seguro entre os requisitos; o Consulado-Geral do Brasil em Madri orienta levar o seguro caso seja solicitado, e o de Barcelona recomenda fortemente contratar um, porque o turista paga o atendimento médico.

De onde vem a regra dos € 30.000?

Do Código de Vistos da União Europeia, o Regulamento (CE) 810/2009, art. 15, que exige seguro com cobertura mínima de € 30.000 de quem pede visto Schengen. O brasileiro não precisa de visto para estadas de até 90 dias, então essa regra não se aplica a ele. Alguns países que exigem seguro também de quem entra sem visto usam o mesmo valor: a França, segundo o portal oficial do governo, a Chéquia, pelas regras próprias, a Bélgica, segundo a embaixada no Brasil, e Luxemburgo, segundo o portal oficial (a lei luxemburguesa não fixa valor).

Se o país não exige, vale a pena contratar seguro viagem?

Sim, porque, em regra, o turista paga o atendimento médico. Em Portugal, o brasileiro pode pedir ao Ministério da Saúde o CDAM, certificado que dá direito a atendimento na rede pública de saúde como cidadão local; para a Itália, o mesmo certificado exige vínculo com o INSS. Autoridades de vários países recomendam o seguro mesmo sem exigi-lo, como a Embaixada da Alemanha no Brasil, a Migrationsverket da Suécia, o Departamento Federal de Saúde da Suíça e o Consulado-Geral do Brasil em Barcelona. Num roteiro com vários países, a exigência de um deles já basta para precisar do seguro.

Reino Unido e Irlanda exigem seguro viagem?

Não. Os dois ficam fora do espaço Schengen. O Consulado-Geral do Brasil em Londres recomenda o seguro para o Reino Unido, e a página oficial de fronteira da Irlanda diz que a imigração pode pedir comprovantes na chegada e lista o comprovante de seguro entre os documentos úteis, sem exigi-lo de quem entra sem visto.