Posso casar nos EUA com visto de turismo? A dúvida é de quem tem namorado, namorada, noivo ou noiva nos Estados Unidos, e também de casais brasileiros que sonham com uma cerimônia em Las Vegas.
A resposta curta da Viaggi Vistos: casar com o visto de turismo é possível, mas o grande problema está na intenção com que você entrou no país. Casar não é o problema. A intenção é.
⚠️ A Viaggi Vistos é especialista no visto B1/B2 e atualmente não realiza assessoria para solicitação de visto de casamento, como o visto de noivo(a) K-1, nem para green card. Este guia é informativo e não substitui orientação jurídica. Para decidir um caso de casamento e imigração, procure um advogado de imigração.
Conferimos as fontes oficiais em 6 de outubro de 2026. As regras de imigração mudam: confira sempre as páginas oficiais citadas antes de decidir.
Casar com visto de turismo é proibido?
Não. A lei americana não proíbe um turista de se casar. Em Las Vegas, por exemplo, o condado de Clark aceita o passaporte estrangeiro para tirar a licença de casamento e não inclui morar em Nevada entre os requisitos.
O ponto está no que o visto de turismo permite. Pelo regulamento do Departamento de Estado (22 CFR 41.31), o visto de visitante a turismo, o B-2, cobre atividades como turismo e visitas a amigos ou parentes, e exige que a pessoa pretenda sair dos EUA ao fim da estada. A página oficial do visto de visitante lista a residência permanente entre o que não se pode fazer com ele.
O próprio manual consular reconhece situações ligadas a casamento dentro do B-2. Pelo 9 FAM 402.2-4(B)(1), o visto de turismo também serve para:
- conhecer a família do noivo ou da noiva;
- ficar noivo;
- planejar o casamento;
- retomar o relacionamento com o futuro cônjuge.
E o mesmo item admite o B-2 para o noivo ou a noiva de cidadão americano ou de residente permanente que vai casar e voltar para a residência no exterior logo depois do casamento, desde que o cônsul se convença disso.
Na análise profissional da Viaggi Vistos, porém, ter noivo ou noiva nos EUA, mesmo sem se hospedar com ele, não impede a aprovação nem gera negativa automática, mas pesa: noivo e cônjuge estão no grupo de parentes de maior peso, porque o que se espera é que um casal fique junto, e por isso o entrevistador pede vínculos com o Brasil ainda mais consistentes. Veja como os parentes nos EUA pesam no visto americano.
Ou seja: a cerimônia não é o problema. O problema é usar o visto de turismo para um plano que ele não cobre.
Casar não é o problema. A intenção é.
Existe uma diferença enorme entre duas situações que, vistas de fora, parecem iguais:
- Quem entrou como turista, com a viagem que declarou, e só ao longo do tempo decidiu se casar.
- Quem já embarcou com o plano definido de casar nos EUA e ficar por lá.
A primeira situação é uma mudança de planos. A segunda é usar o visto de turismo para um propósito que ele não permite, e a imigração americana presta atenção nisso.
Na experiência da Viaggi Vistos, quando o solicitante do visto de turismo diz que vai ficar na casa do namorado ou da namorada nos EUA, isso pesa ainda mais contra você do que ficar na casa de um amigo nos EUA. Quem namora normalmente visa o casamento, e o entrevistador lê nisso um forte sinal de risco de a pessoa permanecer no país e casar pulando a etapa esperada, que é o visto de noivo(a). Não é motivo de negativa automática nem torna a aprovação impossível, mas aumenta muito o risco de recusa.
Na entrevista, a regra que vale para qualquer viagem vale aqui: o que você responde precisa ser coerente com o que consta no seu DS-160. Veja como isso funciona nas perguntas mais comuns da entrevista do visto americano.
A presunção de falsa declaração nos 90 dias
O manual consular do Departamento de Estado tem uma orientação específica para quem age, logo depois de entrar, de um jeito incompatível com o visto que recebeu. Pelo 9 FAM 302.9-4(B)(3)(g), na versão de 2024-05-31:
- Se a pessoa age de forma incompatível com o status em até 90 dias do pedido de visto ou da entrada nos EUA, o cônsul pode presumir que ela fez uma falsa declaração intencional.
- Um dos exemplos citados no manual é o de quem está com status de visitante, casa com cidadão americano ou residente permanente e passa a morar nos EUA.
- A pessoa tem a oportunidade de contestar a presunção.
- Depois de 90 dias, não há presunção automática, mas o cônsul ainda pode concluir que houve falsa declaração pela análise tradicional dos fatos.
A consequência é séria: a falsa declaração para obter visto ou entrada torna a pessoa inelegível a vistos pela INA 212(a)(6)(C)(i).
O USCIS, que analisa os pedidos feitos dentro dos EUA, não aplica essa presunção, que é do Departamento de Estado, mas também não fixa um prazo seguro. O manual dele, no texto vigente em 2026-10-02, diz que a conduta incompatível com o status não prova automaticamente a falsa declaração, mas permite suspeitar de fraude, sobretudo quando acontece pouco depois da entrevista do visto ou da entrada nos EUA.
Não existe prazo "seguro". Passar dos 90 dias não transforma um plano que já existia antes da viagem em mudança de planos. O que se analisa é a intenção.
Não confunda esses 90 dias com os 90 dias do K-1, que são o prazo para casar depois de entrar com o visto de noivo(a).
Quando o caminho é o visto de noivo(a) K-1
Se você já sabe, antes de viajar, que vai casar nos EUA com um cidadão americano e morar lá, o caminho previsto é o visto de noivo(a) K-1, pedido a partir do Brasil. Como ele funciona, com etapas, requisitos e prazos, está no nosso guia do visto de noivo(a) K-1. Quem já casou ou vai casar fora dos EUA não usa o K-1.
Quem entra como turista com o plano de casar e ficar está pulando essa etapa, e é esse o risco que a presunção dos 90 dias e a análise de falsa declaração existem para alcançar.
Dois brasileiros podem casar em Las Vegas?
Pelo lado da licença, o condado de Clark, onde fica Las Vegas, exige:
- ter pelo menos 18 anos;
- documento oficial com foto (o passaporte estrangeiro é aceito);
- não ser casado.
Não há período de espera nem exame de sangue, e morar em Nevada não está entre os requisitos listados pelo condado.
Pelo lado do visto, o manual consular não trata especificamente do casamento entre dois visitantes estrangeiros. Vale o mesmo princípio deste guia: o visto de turismo pressupõe a volta ao Brasil ao fim da viagem, e a pergunta que importa é a intenção. Casar não é o problema. A intenção é.
Casamento feito nos EUA vale no Brasil?
Sim. Pelo governo brasileiro, o casamento celebrado por autoridade estrangeira é válido no Brasil. Para produzir efeitos jurídicos aqui, porém, ele precisa ser trasladado, o que pode ser feito por dois caminhos:
- Registro no consulado brasileiro e depois transcrição no Cartório do 1º Ofício do Registro Civil do seu domicílio no Brasil.
- Registro direto no Cartório do 1º Ofício, no Brasil, com a certidão americana apostilada e traduzida por tradutor juramentado.
Las Vegas fica na jurisdição do Consulado-Geral do Brasil em Los Angeles. Pela página do consulado, atualizada em 2026-02-06, o registro consular é pedido pelo e-Consular, custa US$ 20 em money order e não pode ser feito pelo correio. A apostila da certidão de Nevada não é feita pelo condado: o próprio condado de Clark remete esse serviço ao Secretário de Estado de Nevada.
Um aviso do Consulado em Los Angeles vale para quem casa nos EUA: o casamento feito no exterior, mesmo sem traslado no Brasil, impede um novo casamento.
Se o casamento mudar o seu nome no passaporte, veja o que fazer com o visto em alteração no nome depois de tirar visto americano.
Casamento com americano no Brasil vale nos Estados Unidos?
Sim. Para fins de imigração, o USCIS aplica a regra do local da celebração: em geral, o casamento vale se for válido pela lei do lugar onde foi feito. O manual do USCIS, no texto vigente em 2026-10-02, diz que, na maioria dos casos, a certidão de casamento é a prova inicial de que o casamento foi feito de forma legal. Há exceções, como o casamento polígamo.
No Brasil, quem quer casar segue a lei brasileira, qualquer que seja a nacionalidade. A Embaixada dos EUA informa que os oficiais consulares americanos não realizam casamentos e que é preciso o processo civil no Cartório de Registro Civil.
Depois do casamento, o pedido de green card para o cônjuge de cidadão americano começa com o Formulário I-130. Pelas instruções do USCIS, edição de 2024-04-01:
- vai uma cópia da certidão de casamento;
- documento em português precisa de tradução integral para o inglês;
- o tradutor assina uma declaração de que a tradução está completa e correta e de que ele é capaz de traduzir do português para o inglês, com nome, data e contato.
As instruções do I-130 não pedem tradução juramentada brasileira nem apostila na certidão.
Para quem já é casado, o K-1 não se aplica: o visto de noivo(a) é só para quem ainda vai casar nos EUA.
Fazer do jeito certo, sem correr um risco desnecessário
Resumindo o que dizem as regras oficiais:
- Casar com visto de turismo não é proibido, e o manual consular admite o B-2 para casar com americano e voltar, se o cônsul se convencer disso.
- Entrar como turista já com o plano de casar e ficar está fora do que o visto de turismo permite e pode configurar falsa declaração.
- Quem quer casar nos EUA com cidadão americano e morar lá tem o K-1 como caminho previsto, pedido a partir do Brasil.
- O casamento feito nos EUA vale no Brasil, e o feito no Brasil vale nos EUA, cada um com a sua documentação.
No fim, não é uma questão se "pode ou não pode", mas de fazer do jeito certo sem correr um risco desnecessário.
Fontes oficiais consultadas em 2026-10-06:
- Departamento de Estado: 9 FAM 402.2-4 (visto B-2 e noivos), 9 FAM 302.9-4 (presunção dos 90 dias e falsa declaração), 22 CFR 41.31 e 22 CFR 41.81, e as páginas do visto de visitante e do visto K-1 no travel.state.gov.
- USCIS: página do visto de noivo(a) K-1, Policy Manual (volume 6, parte B, capítulo 2; volume 8, parte J, capítulo 3; volume 12, parte G, capítulo 2) e instruções do Formulário I-130.
- Condado de Clark (Las Vegas): requisitos da licença de casamento e prova de casamento.
- Governo brasileiro: serviço "Registrar casamento no exterior" no gov.br, páginas de registro de casamento dos Consulados-Gerais do Brasil em Los Angeles e em Miami, e Lei 6.015/1973, art. 32.
- Embaixada e Consulados dos EUA no Brasil: página de questões de família, seção de casamento.
Quer maximizar as chances de aprovação do seu visto americano?
Se você vai solicitar ou renovar o visto americano e quer maximizar suas chances de aprovação, evitando erros e inconsistências no seu DS-160 e na entrevista, entre em contato com a Viaggi Vistos pelo WhatsApp agora mesmo e faça uma análise gratuita do seu perfil!
Perguntas frequentes
Posso casar nos EUA com visto de turismo?
Casar, em si, não é proibido: a licença de casamento de Las Vegas, por exemplo, aceita passaporte estrangeiro e não inclui morar em Nevada entre os requisitos. O que pesa é a intenção com que você entrou no país. O visto de turismo (B-2) exige a intenção de sair dos EUA ao fim da estada, e a residência permanente está entre o que ele não permite. Quem embarca já com o plano de casar e ficar está fora do que o visto de turismo permite. Casar não é o problema. A intenção é.
Posso casar com um americano usando visto de turismo?
O manual consular do Departamento de Estado (9 FAM 402.2-4(B)(1)) admite o visto B-2 para o noivo ou a noiva de cidadão americano ou de residente permanente que vai casar e voltar para a residência no exterior logo depois do casamento, desde que o cônsul se convença disso. Na análise profissional da Viaggi Vistos, porém, ter noivo ou noiva nos EUA não impede a aprovação nem gera negativa automática, mas pesa: noivo e cônjuge estão no grupo de parentes de maior peso, porque o que se espera é que um casal fique junto, e por isso o entrevistador pede vínculos com o Brasil ainda mais consistentes. Se o plano é casar nos EUA com cidadão americano e morar lá, o caminho previsto é o visto de noivo(a) K-1, pedido a partir do Brasil, e não o visto de turismo.
Qual a diferença entre visto de turismo e visto de noivo(a) K-1?
O visto de turismo (B-2) é para turismo e visitas e exige a intenção de voltar ao Brasil ao fim da estada. O visto de noivo(a) K-1 é o caminho previsto para quem vai aos EUA justamente para casar com cidadão americano e morar lá, e é pedido a partir do Brasil. Quem já casou ou vai casar fora dos EUA não usa o K-1.
O que é a presunção de falsa declaração nos 90 dias?
É uma orientação do manual consular do Departamento de Estado (9 FAM 302.9, versão de 2024-05-31). Se a pessoa age de forma incompatível com o status em até 90 dias do pedido de visto ou da entrada nos EUA, o cônsul pode presumir que ela fez uma falsa declaração. Um dos exemplos citados é o de quem está com status de visitante, casa com cidadão americano ou residente permanente e passa a morar nos EUA. A pessoa pode contestar a presunção. A falsa declaração torna a pessoa inelegível a vistos pela INA 212(a)(6)(C)(i).
Existe um prazo seguro para casar depois de entrar nos EUA com visto de turismo?
Não. Depois de 90 dias, a presunção automática do manual consular deixa de existir, mas o próprio manual diz que a falsa declaração ainda pode ser constatada pela análise tradicional. O USCIS também afirma, no seu manual vigente, que conduta incompatível com o status permite suspeitar de fraude, sobretudo quando acontece pouco depois da entrevista do visto ou da entrada nos EUA. O que se analisa é a intenção, não um número de dias.
Dois brasileiros podem casar em Las Vegas com visto de turismo?
Pelas regras do condado de Clark (Las Vegas), a licença de casamento exige 18 anos, documento oficial com foto (o passaporte estrangeiro é aceito) e que a pessoa não seja casada, sem período de espera e sem exame de sangue; morar em Nevada não está entre os requisitos. O manual consular não trata especificamente do casamento entre dois visitantes estrangeiros. Vale o mesmo princípio: o visto de turismo pressupõe a volta ao Brasil ao fim da viagem. Casar não é o problema. A intenção é.
Casamento em Las Vegas vale no Brasil?
Sim. Pelo governo brasileiro, o casamento celebrado por autoridade estrangeira é válido no Brasil. Para produzir efeitos jurídicos aqui, ele precisa ser registrado em repartição consular brasileira e depois transcrito no Cartório do 1º Ofício do Registro Civil do seu domicílio. Há também o caminho direto pelo Cartório do 1º Ofício, com a certidão americana apostilada e traduzida por tradutor juramentado. Las Vegas fica na jurisdição do Consulado-Geral do Brasil em Los Angeles.
Casamento com americano no Brasil vale nos Estados Unidos?
Sim. Para fins de imigração, o USCIS aplica, em geral, a regra do local da celebração: o casamento vale se for válido pela lei do lugar onde foi feito, com exceções, como o casamento polígamo, e, na maioria dos casos, a certidão serve como prova inicial. Por isso, o casamento civil feito em cartório no Brasil é, em regra, reconhecido. No pedido de green card do cônjuge (Formulário I-130), as instruções do USCIS pedem cópia da certidão de casamento e tradução integral para o inglês, com declaração assinada do tradutor.
A Viaggi Vistos faz assessoria para visto de casamento?
Não. A Viaggi Vistos é especialista no visto B1/B2, o visto de turismo e negócios, e atualmente não realiza assessoria para solicitação de visto de casamento, como o visto de noivo(a) K-1, nem para green card. Para esses casos, procure um advogado de imigração. Este guia é informativo.








