O carregador portátil pode evitar que o celular fique sem bateria na viagem. Mas um número grande na embalagem pode levar você a conferir a informação errada: 100 W não significa 100 Wh.

Recentemente, ao embarcar no aeroporto de Goiânia, tive um power bank de 60.000 mAh retido por superar o limite aceito no embarque. O aparelho trazia uma indicação grande de 100 W. Esse número, porém, não era a capacidade de energia usada para avaliar o transporte.

Compartilho a experiência para que você faça essa conferência antes de sair de casa. A seguir, separamos a regra brasileira, as condições das companhias e os cálculos. Os exemplos matemáticos não são uma medição do aparelho do relato.

Quais são as regras para power bank no avião?

Na verificação de 2026-09-19, a referência normativa brasileira consultada é a IS 175-001 da ANAC, revisão M, com retificação de 2026-05-22. A Tabela H-1 trata das baterias e das condições específicas dos carregadores portáteis.

Para o viajante, os pontos centrais são: no máximo dois power banks por pessoa, somente na cabine, protegidos contra curto-circuito e dentro da capacidade aceita. A companhia pode aplicar condições mais restritivas. A referência em Wh vale para cada aparelho, não é uma franquia para dividir livremente entre unidades.

Energia nominal do power bankRegra brasileira de capacidadeO que conferir antes de viajar
Até 100 Wh, inclusiveFaixa usual de transporte, respeitando as demais condiçõesQuantidade, identificação, estado do aparelho e política da companhia
Mais de 100 até 160 Wh, inclusiveDepende de aprovação da companhiaConfirme primeiro se a empresa aceita essa faixa. A autorização não é automática
Acima de 160 WhNão permitido como bagagem de passageiroNão leve contando com liberação no aeroporto ou com despacho da mala

A companhia pode proibir mesmo estando abaixo de 160 Wh?

Pode. A exceção brasileira não obriga a companhia a aceitar o aparelho. Na página oficial consultada, a LATAM limita power banks a duas unidades de até 100 Wh cada e proíbe os que excedem 100 Wh.

Assim, um modelo de 111 Wh não deve ser apresentado como liberado para qualquer voo mediante autorização. A empresa que opera o trecho pode não autorizar essa faixa.

Consulte a política de cada companhia que efetivamente realizará os voos, inclusive conexões e retorno. Para aparelhos com mais de 100 até 160 Wh, fale com a empresa antes de ir ao aeroporto e siga o procedimento de aprovação indicado por ela. Acima de 160 Wh, essa possibilidade de autorização não se aplica à bagagem de passageiro. A campanha brasileira também orienta a apresentação no balcão de check-in, quando a faixa intermediária é aceita. Não deixe para tentar resolver no raio-x ou no portão.

O que olhar na etiqueta: W, Wh ou mAh?

Procure primeiro o valor em Wh, escrito também como watt-hora. Essa é a informação de energia usada no limite de capacidade. W e mAh representam outras grandezas.

UnidadeO que significaComo interpretar
W, wattPotência, isto é, ritmo de transferência de energiaUma saída de 100 W pode carregar um equipamento rapidamente. Não informa, sozinha, quanta energia a bateria armazena
Wh, watt-horaEnergia nominal armazenadaÉ a unidade comparada aos limites de capacidade para transporte
mAh, miliampere-horaCapacidade de carga elétricaPrecisa da tensão nominal correspondente, em V, para ser convertida em Wh

Pense na diferença entre o tamanho de um reservatório e a velocidade com que ele entrega o conteúdo. Para o embarque, não basta saber que o carregador oferece uma saída potente. É preciso conhecer a energia da bateria.

O inverso também vale: um power bank que fornece 100 W não é automaticamente proibido. Ele pode, por exemplo, ter uma energia nominal de 74 Wh. São informações diferentes do mesmo produto.

Como converter mAh em Wh sem usar a tensão errada

A fórmula é:

Wh = mAh × tensão nominal em V ÷ 1.000

Esse cálculo é explicado também pela FAA, autoridade de aviação dos Estados Unidos. O cuidado está em usar a tensão nominal associada à capacidade declarada da bateria, não escolher uma das saídas USB.

Um aparelho pode listar saídas de 5 V, 9 V, 12 V ou 20 V. Esses números não devem ser multiplicados indiscriminadamente pelos mAh anunciados. A capacidade pode ter sido declarada com outra tensão de referência.

Exemplo: se o fabricante declara 20.000 mAh a 3,7 V, então 20.000 × 3,7 ÷ 1.000 = 74 Wh. Se a tensão correspondente não estiver clara, consulte o manual ou o fabricante. Adivinhar 3,7 V não substitui uma especificação verificável.

Exemplos: 10.000, 20.000, 30.000 e 60.000 mAh

Todos os cálculos desta tabela usam a hipótese de capacidade nominal declarada a 3,7 V. Não são uma lista de modelos aprovados pela ANAC, e outra tensão nominal produz outro resultado. O valor em Wh do fabricante deve ser conferido.

Capacidade do exemplo, a 3,7 VEnergia calculadaComparação com as faixas
10.000 mAh37 WhAbaixo de 100 Wh
20.000 mAh74 WhAbaixo de 100 Wh
26.800 mAh99,16 WhAbaixo de 100 Wh
27.000 mAh99,9 WhAbaixo de 100 Wh, mas muito próximo do limite
30.000 mAh111 WhAcima de 100 até 160 Wh. Depende de aceitação e autorização; não aceito pela LATAM na política consultada
50.000 mAh185 WhAcima de 160 Wh, não permitido como bagagem de passageiro
60.000 mAh222 WhAcima de 160 Wh, não permitido como bagagem de passageiro

Repare por que a frase “pode levar até 27.000 mAh” é uma simplificação arriscada. 27.000 mAh a 3,7 V são 99,9 Wh; a 3,85 V seriam 103,95 Wh. A quantidade de mAh, isoladamente, não determina o enquadramento.

No caso de Goiânia, a lição prática é conferir a etiqueta completa, em vez de confiar no “100 W” em destaque. Sem as especificações daquele modelo, não atribuímos a ele os 222 Wh do exemplo.

Onde guardar e o que fazer se a mala for despachada

Power bank não vai na bagagem despachada. Leve-o na cabine, com proteção individual contra contato com objetos metálicos, danos e curto-circuito. Um estojo ou embalagem protetora adequada ajuda a mantê-lo separado e protegido.

A campanha educativa brasileira Carregador portátil tem regra no avião, divulgada pelo Ministério de Portos e Aeroportos com ANAC, ABEAR e companhias, orienta mantê-lo acessível sob o assento da frente ou no bolsão do assento, não no compartimento superior. Siga a orientação da tripulação para seu assento.

Se a mala de mão precisar ir para o porão no portão de embarque, retire o carregador antes de entregar a mala e avise o funcionário. Não basta ter colocado inicialmente na bagagem de mão: ele precisa continuar na cabine.

Não leve um aparelho estufado, danificado, com sinais de aquecimento anormal ou sujeito a recall de segurança não resolvido. Se houver calor excessivo, fumaça ou alteração da bateria durante o voo, avise imediatamente a tripulação. Não esconda o equipamento nem tente resolver sozinho.

Posso usar ou carregar o power bank durante o voo?

A orientação prática é não usar nem recarregar o power bank a bordo. Vá com o celular carregado e deixe documentos, reservas e informações importantes disponíveis sem depender dele durante o voo.

Há uma distinção importante entre as fontes: na Tabela H-1 da IS da ANAC, recarregar o próprio power bank é proibido; usá-lo para recarregar outro dispositivo aparece como recomendação de não uso. A campanha educativa brasileira orienta não fazer nenhuma das duas coisas, e a LATAM proíbe expressamente ambas.

Portanto, poder transportar não significa poder usar. Não conecte o power bank à tomada ou USB do avião para recarregá-lo. Para qualquer uso de eletrônicos, respeite a política da companhia e as instruções da tripulação. Não transfira uma orientação de outra empresa ou de outro país automaticamente para o seu voo.

Checklist antes de sair para o aeroporto

  1. Leia a etiqueta: localize os Wh. Se só houver mAh, confirme a tensão nominal correspondente no manual ou com o fabricante.
  2. Confira cada trecho: veja a política da companhia operadora, não apenas a marca que vendeu a passagem.
  3. Não conte com exceções: acima de 100 até 160 Wh, confirme aceitação e autorização antes de levar. Acima de 160 Wh, não leve como bagagem de passageiro.
  4. Limite a quantidade: no máximo dois power banks por pessoa, respeitando as demais condições.
  5. Inspecione o aparelho: não leve bateria danificada ou com problema de segurança.
  6. Embale corretamente: mantenha proteção individual e leve na cabine, em local acessível e permitido.
  7. Prepare o celular: carregue antes de embarcar e salve o que precisar para usar offline.
  8. Se a mala for despachada no portão: retire o power bank antes de entregá-la.

Se a etiqueta estiver apagada ou não for possível comprovar a capacidade, resolva a dúvida com o fabricante e a companhia antes da viagem. Não improvise uma etiqueta nem espere que a indicação “100 W” seja suficiente na inspeção.

Esses cuidados entram no planejamento junto com nosso checklist completo de viagem. Para outras etapas do aeroporto, consulte as dicas para a primeira viagem de avião. Se o destino for americano, veja também como preparar sua primeira viagem aos Estados Unidos.

Fontes conferidas em 2026-09-19. Os limites técnicos acima foram confrontados com a IS da ANAC, a orientação da FAA, a campanha brasileira e a política publicada pela LATAM. Regras de companhias podem mudar. A experiência em Goiânia é relato do autor, não comunicado da ANAC nem comprovação técnica de um modelo específico.

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Perguntas frequentes

Pode levar carregador portátil no avião?

Sim, na cabine e dentro dos limites de capacidade, quantidade e segurança. A regra brasileira limita os power banks a dois por pessoa. Até 100 Wh é a faixa usual; acima de 100 até 160 Wh depende de autorização e pode ser proibido pela companhia. Acima de 160 Wh não é permitido como bagagem de passageiro. Nunca coloque o power bank na mala despachada.

Um power bank de 100 W pode ir no avião?

O número 100 W, sozinho, não permite responder. W indica potência, enquanto o limite de capacidade para transporte usa Wh, a energia armazenada. Confira o valor em Wh na etiqueta e a política da companhia. Um aparelho com saída de 100 W pode ter uma capacidade permitida ou uma capacidade acima do limite.

Pode levar power bank de 20.000 mAh no avião?

Se os 20.000 mAh forem declarados à tensão nominal de 3,7 V, o resultado será 74 Wh, abaixo de 100 Wh. É um exemplo de cálculo, não autorização automática: confira a etiqueta, o estado do aparelho, o limite de dois por pessoa e as regras da companhia.

Pode levar power bank de 30.000 mAh no avião?

Com capacidade nominal de 30.000 mAh a 3,7 V, o aparelho teria 111 Wh. Isso supera a faixa usual de 100 Wh. A regra brasileira admite acima de 100 até 160 Wh com autorização, mas a companhia pode ser mais restritiva. A LATAM, por exemplo, informa que proíbe power banks acima de 100 Wh. Confira o seu modelo e a regra do voo antes de levá-lo.

Pode levar power bank de 60.000 mAh no avião?

No exemplo de 60.000 mAh declarados a 3,7 V, são 222 Wh, acima de 160 Wh e fora do limite de bagagem de passageiro. O cálculo só identifica um aparelho quando a capacidade e a tensão nominal correspondem às especificações reais do fabricante. Não use a indicação de saída de 100 W como prova de que ele pode embarcar.

Posso usar o power bank para carregar o celular durante o voo?

Não conte com esse uso. A campanha educativa brasileira orienta não usar nem recarregar o power bank a bordo, e a LATAM proíbe expressamente ambas as situações. A IS da ANAC proíbe recarregar o power bank e recomenda não utilizá-lo para recarregar outros dispositivos. Siga sempre a regra da companhia e as instruções da tripulação.

E se minha mala de mão for despachada no portão?

Retire o power bank antes de entregar a mala e avise o funcionário. Ele deve permanecer na cabine, protegido individualmente e em local permitido e acessível. O despacho da mala no portão não cria uma exceção para levar o carregador portátil no porão.

Posso levar o power bank descarregado para ficar abaixo do limite?

Não. O limite considera a capacidade nominal em Wh, não o percentual de carga restante. Deixar um aparelho de capacidade excessiva com 10% ou 0% de carga não muda sua classificação para transporte.