Poucos números dizem tanto sobre o sonho americano quanto a taxa de recusa do visto de turismo. Ela mostra, ano a ano, quantos pedidos de cada país foram negados pelos consulados dos Estados Unidos. Reunimos 20 anos dessa estatística oficial (dos anos fiscais de 2006 a 2025), direto da fonte do governo americano, e organizamos tudo com foco no Brasil.
O resultado é uma verdadeira montanha-russa: o brasileiro já teve o visto negado em apenas 3,2% dos casos e, poucos anos depois, em mais de 23%. Abaixo, a série completa, os recordes, a comparação com o mundo e o que os números revelam.
📌 Resumo rápido (dados oficiais do Departamento de Estado dos EUA)
- 🇧🇷 Brasil em 2025: taxa de recusa de 14,87% (cerca de 1 em cada 7 pedidos negado).
- 📈 Pior ano do Brasil: 2020, com 23,16% (quase 1 em cada 4).
- 📉 Melhor ano do Brasil: 2012 e 2014, ambos com 3,2% (1 em cada 31).
- 🌎 Média mundial em 2025: 34,3%, a mais alta da série. O Brasil está bem abaixo disso.
- 🏆 Menor recusa (média histórica): Chipre e Argentina, com 3,5%. Maior: Laos, com 70,2%.
- 📊 Na média de 20 anos, o Brasil aparece em 152º de 186 países em recusa: os brasileiros são negados menos que 81% do mundo.
O que é a "taxa de recusa ajustada" (e por que 3% é um número mágico)
A estatística que usamos aqui é a "Adjusted Refusal Rate - B-Visas Only by Nationality", publicada anualmente pelo Departamento de Estado dos EUA (Bureau of Consular Affairs), no site oficial travel.state.gov. Ela mede a proporção de vistos da categoria B (turismo e negócios, o famoso B1/B2) que foram negados, separando por nacionalidade do solicitante.
Esse número não é apenas curiosidade estatística. Ele é o critério oficial do Visa Waiver Program (o programa de isenção de visto): pela lei de imigração americana (INA, Seção 217(c)(2)(A)), um país só é considerado para a isenção se tiver uma taxa de recusa de visto de turismo abaixo de 3%. Guarde esse número: 3%. Ele vai reaparecer na história do Brasil.
🇧🇷 A montanha-russa brasileira: 2006 a 2025
A curva do Brasil conta três capítulos:
- A era de ouro (2007 a 2015). A recusa despencou de 13,2% (2006) para o piso de 3,2% em 2012 e 2014. Foi o auge da economia brasileira, com o real forte e o dólar barato. O Brasil chegou a encostar na linha dos 3% da isenção de visto, mas nunca cruzou. Enquanto isso, o Chile cruzou e entrou no Visa Waiver em 2014.
- A virada (2016 a 2020). Em um único ano, a recusa saltou de 5,36% (2015) para 16,7% (2016) e seguiu subindo até o pico de 23,16% em 2020. Especialistas em vistos ouvidos pela imprensa brasileira atribuem o salto de 2016 principalmente à crise econômica de 2015-2016 (recessão e forte desvalorização do real), que muda o perfil de risco dos solicitantes aos olhos do consulado. É importante frisar: não há um comunicado oficial dos EUA cravando essa causa; é a leitura de quem acompanha o setor.
- A acomodação (2021 a 2025). Depois da pandemia, a taxa oscilou entre 11,9% e 15,5%, fechando 2025 em 14,87%.
Brasil, ano a ano (taxa de recusa de visto B1/B2)
| Ano fiscal | Taxa de recusa | Ano fiscal | Taxa de recusa |
|---|---|---|---|
| 2006 | 13,2% | 2016 | 16,7% |
| 2007 | 9,6% | 2017 | 12,34% |
| 2008 | 5,5% | 2018 | 12,73% |
| 2009 | 7,0% | 2019 | 18,48% |
| 2010 | 5,2% | 2020 | 23,16% (recorde) |
| 2011 | 3,8% | 2021 | 14,25% |
| 2012 | 3,2% (mínimo) | 2022 | 14,48% |
| 2013 | 3,5% | 2023 | 11,94% |
| 2014 | 3,2% (mínimo) | 2024 | 15,48% |
| 2015 | 5,36% | 2025 | 14,87% |
Média histórica do Brasil no período: 10,7%.
🇧🇷 2012: o ano em que o Brasil quase entrou na isenção de visto
Não é coincidência que o ano de menor recusa da série (2012, com 3,2%) tenha sido também o momento em que o sonho da viagem sem visto ficou mais perto. Em 9 de abril de 2012, na visita da presidente Dilma Rousseff a Washington, uma declaração conjunta com o presidente Barack Obama afirmou que os dois países se comprometiam a trabalhar juntos para cumprir os requisitos do Visa Waiver Program e permitir que americanos e brasileiros viajassem sem visto.
Foi um compromisso de intenção, não um acordo fechado, e a admissão nunca avançou. Para entender por quê, vale conhecer as exigências do programa.
📋 Requisitos para entrar no Visa Waiver Program (isenção de visto dos EUA)
- ✅ Taxa de recusa de visto de turismo/negócios (B1/B2) abaixo de 3%, medida no ano fiscal anterior. É o critério estatístico central.
- ✅ Passaporte eletrônico (e-Passport), com chip biométrico, emitido aos cidadãos.
- ✅ Acordos de cooperação em segurança, com troca de informações sobre terrorismo e crimes graves (os acordos HSPD-6 e PCSC).
- ✅ Reporte imediato de passaportes perdidos e roubados aos sistemas internacionais.
- ✅ Reciprocidade: o país precisa isentar de visto os cidadãos americanos.
- ✅ Baixa taxa de permanência irregular (overstay) de seus cidadãos nos EUA.
Apesar de o assunto voltar à tona de tempos em tempos, os números mostram que o Brasil está distante dessa realidade. O principal obstáculo é justamente o tema deste artigo: a recusa de 2025 foi de 14,87%, quase cinco vezes o teto de 3%, e ela nunca ficou abaixo de 3% em toda a série (o recorde de proximidade foi 3,2%, em 2012 e 2014).
Some-se a isso a reciprocidade: em 2025, o Brasil passou a exigir visto eletrônico de visita de cidadãos dos Estados Unidos, Canadá e Austrália, encerrando a isenção que oferecia a eles. Ou seja, hoje há duas distâncias entre o Brasil e a isenção de visto americano, não apenas uma. Os burburinhos continuam, mas, com os dados na mesa, a entrada do Brasil no Visa Waiver não está no horizonte próximo.
Brasil x o mundo: estamos entre os mais fáceis
Apesar da montanha-russa, o Brasil está longe de ser um país de recusa alta. A média mundial de recusa de visto de turismo subiu de cerca de 26% para 34,3% em 2025 (o maior valor da série), enquanto o Brasil terminou em 14,87%, menos da metade da média global.
Na média dos 20 anos, o Brasil ocupa a 152ª posição entre 186 países em taxa de recusa (do maior para o menor). Traduzindo: os brasileiros têm o visto negado menos que em cerca de 81% dos países do mundo.
Vizinhos: quem tem mais e menos visto negado na América Latina
Na média histórica, a Argentina (3,5%) e o Uruguai (5,4%) são os campeões de aprovação da região, em patamar de país europeu. O Brasil (10,7%) fica no meio do pelotão, à frente de México (15,9%), Bolívia (20,8%), Peru (25,2%) e Colômbia (26,0%).
| País | Recusa média (2006-2025) |
|---|---|
| Argentina | 3,5% |
| Uruguai | 5,4% |
| Chile | 10,1% |
| Brasil | 10,7% |
| Paraguai | 12,1% |
| México | 15,9% |
| Bolívia | 20,8% |
| Peru | 25,2% |
| Colômbia | 26,0% |
Os extremos do mundo
No topo e na base da tabela mundial (média de 2006 a 2025), os contrastes são enormes.
Os países com maior recusa média são, em geral, nações de baixa renda e forte pressão migratória: Laos (70,2%), Somália (68,4%) e Mauritânia (64,3%) lideram. Já os de menor recusa são economias estáveis e passaportes fortes: Chipre e Argentina (3,5%), Hong Kong (4,4%) e Liechtenstein (4,5%).
O que os números dizem para quem vai pedir o visto
A leitura mais importante é: a recusa não é um sorteio. As taxas variam de 3% a 70% entre países porque o oficial consular avalia, caso a caso, o risco de imigração de cada solicitante, com base na Seção 214(b) da lei americana (a presunção de intenção imigratória). Renda, vínculos com o país de origem, histórico de viagens e consistência do DS-160 pesam. Quando a economia piora, o perfil médio dos candidatos muda, e a taxa sobe, como aconteceu com o Brasil em 2016.
Em outras palavras: dentro do mesmo país e no mesmo ano, um perfil bem preparado é negado muito menos do que a média sugere. É exatamente aí que uma boa preparação faz diferença.
📰 Para jornalistas e criadores de conteúdo
Os dados e gráficos desta página são de livre reprodução em reportagens, artigos e vídeos, desde que citada a fonte com um link para esta página. Os números originais são públicos e do Departamento de Estado dos EUA. Sugestão de crédito para copiar:
Fonte: levantamento da Viaggi Vistos com dados oficiais do Departamento de Estado dos EUA.
Fonte dos dados: U.S. Department of State, Bureau of Consular Affairs, tabelas anuais "Adjusted Refusal Rate - B-Visas Only by Nationality" (anos fiscais de 2006 a 2025), publicadas em travel.state.gov. Compilação e gráficos: Viaggi Vistos.
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Qual é a taxa de recusa do visto americano de turismo para brasileiros em 2025?
Segundo os dados oficiais do Departamento de Estado dos EUA, a taxa ajustada de recusa de vistos B (turismo e negócios) para o Brasil no ano fiscal de 2025 foi de 14,87%. Isso significa que cerca de 1 em cada 7 pedidos foi negado.
Qual foi o ano com a maior taxa de recusa de visto americano para o Brasil?
Foi 2020, com 23,16%, o maior índice de toda a série histórica de 2006 a 2025. Naquele ano, quase 1 em cada 4 pedidos de brasileiros foi negado.
E o ano com a menor recusa?
Os anos de 2012 e 2014, ambos com 3,2%, foram os de menor recusa para brasileiros no período. Foi a época em que o Brasil mais se aproximou da isenção de visto, que exige uma taxa abaixo de 3%.
Qual país tem a maior taxa de recusa de visto americano de turismo?
Na média histórica de 2006 a 2025, os países com maior recusa foram Laos (70,2%), Somália (68,4%) e Mauritânia (64,3%). São nações com baixa renda média e histórico de forte pressão migratória.
Qual país tem a menor taxa de recusa?
Na média do período, Chipre e Argentina lideram, ambos com 3,5%, seguidos por Hong Kong (4,4%) e Liechtenstein (4,5%). Na América do Sul, Argentina e Uruguai são os que menos têm vistos negados.
O que é a taxa de recusa ajustada de visto B?
É a estatística oficial que o Departamento de Estado dos EUA usa para medir a proporção de vistos de turismo e negócios (categoria B) negados por nacionalidade. Ela também é o critério numérico do Visa Waiver Program: um país precisa ficar abaixo de 3% para ser considerado na isenção de visto.
O Brasil vai entrar no Visa Waiver Program (isenção de visto americano)?
Hoje, não está próximo. O critério central do programa é uma taxa de recusa de visto de turismo abaixo de 3%, e a do Brasil foi de 14,87% em 2025, quase cinco vezes esse teto. Em 2012, o país chegou a 3,2%, o ponto mais perto, e os presidentes Obama e Dilma firmaram um compromisso de trabalhar pela isenção, mas isso nunca avançou. Além disso, em 2025 o Brasil passou a exigir visto de visitantes americanos, o que afeta a exigência de reciprocidade do programa.
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